Atendendo a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a Justiça determinou o levantamento do sigilo da Operação Et pater filium, deflagrada na manhã de sexta-feira, 31 pelo MPSC e pela Polícia Civil de Santa Catarina – rendendo o cumprimento de mandado de busca e apreensão em um imóvel de Balneário Piçarras. O imóvel seria de propriedade de uma das empresas investigadas como integrante de uma possível organização criminosa voltada para a prática de crimes de fraudes a licitações e corrupção na cidade de Major Vieira.
Com a quebra do sigilo, os investigados foram revelados: Marcus Vinícius Brasil Severgnini (filho do prefeito de Major Vieira), Décio Pacheco (proprietário da Décio Pacheco e Cia), Décio Pacheco Júnior (proprietário da Derpa Usina de Asfalto Eireli) e o prefeito de Major Vieira, Orildo Antônio Severgnini (MDB). No cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão, foram recolhidos documentos, cópias de processos licitatórios, dispositivos eletrônicos, cheques e R$ 321.916,05 em dinheiro em espécie.
Os valores em espécie foram apreendidos nas casas do Prefeito de Major Vieira (R$ 297,3 mil) e de seu filho (R$ 24,5 mil). Um dos mandados foi cumprido em um imóvel de Balneário Piçarras. Segundo o portal de notícias da região de Canoinhas, JMais, “a investigação apontou ainda que Marcus Vinícius teria se hospedado em imóvel da propriedade da empresa de Décio em Balneário Piçarras. Para o MPSC há indício claro de vínculo entre a empresa e o filho do prefeito a partir dessa informação comprovada durante a investigação”.
A investigação, coordenada pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, foi desenvolvida pelo Grupo Especial Anticorrupção do Ministério Público (GEAC) e pela Divisão de Investigação Criminal de Canoinhas (DIC) com o auxílio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e demonstra uma ligação próxima entre empresários e funcionários públicos para supostamente direcionar as contratações públicas em troca de possíveis vantagens ilícitas, causando danos milionários aos entes públicos.
Segundo reportagem do JMais, “segundo os autos, no Estado do Paraná teve início procedimento destinado a apurar a ocorrência de delitos relacionados ao departamento de estradas e rodagens paranaense, e durante as investigações foram, por eventualidade, interceptadas conversas travadas entre os empresários Décio Pacheco – proprietário da Décio Pacheco e Cia – e Décio Pacheco Júnior – proprietário da Derpa Usina de Asfalto Eireli – pai e filho, com Orildo e seu filho, Marcus Vinicius. As conversas indicariam a existência de uma associação voltada a definir, ilicitamente, o resultado de procedimentos licitatórios na cidade de Major Vieira”.
A expressão em latim – Et pater filium – remete ao fato de estarem associados para o cometimento dos atos de corrupção duas duplas de pai e filho, empresários, de um lado, e funcionários públicos, de outro.
À reportagem do JMais, Orildo alegou inocência. “Nunca peguei uma tampa de Coca-Cola de ninguém”, garantiu. “Estamos a disposição da Justiça e de cabeça erguida vamos responder todas as dúvidas. Quando eu provar minha inocência ninguém vai escrever uma linha do que foi falado hoje, mas vamos trabalhando, vida que segue”. Os demais investigados não foram localizados.





