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domingo 25 de fevereiro de 2024


Litoral Norte mira os olhares ao Oceano Atlântico

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A chegada do frio ao litoral norte de Santa Catarina traz consigo mais do que uma atmosfera climática: oportuniza o aparecimento de raras – para a nossa região – espécies marinhas. Pinguins e baleias poderão ser avistados ao horizonte do Atlântico durante sua passagem migratória e reprodutiva. Mas, uma série de precauções devem ser tomadas, até quando algum deles é encontrado em situação de risco.

“Ao avistar um animal marinho em alto mar é importante manter a distância e não o perseguir. Caso o animal se aproxime da embarcação é necessário desligar o motor ou reduzir ao máximo a rotação.  A perseguição do animal pode interferir na rota de deslocamento ou gerar estresse. É muito importante tomar cuidado para não ocorrer uma colisão ou atropelamento do animal”, explica Jeferson Dick, oceanógrafo e coordenador da Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, em Penha.

De acordo com a bióloga da Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, Thamires Pires de Pontes, é comum o aparecimento da baleia-franca, baleia-jubarte e pinguim-de-magalhães. “Essa espécie (baleia-franca) deixa as áreas de alimentação nas latitudes mais frias e busca as regiões costeiras do Brasil para o período de acasalamento, nascimento e amamentação do filhote. Temos também a ocorrência da baleia-jubaete, que passa pela nossa região nessa época do ano, mas segue viagem para o litoral Sudeste, onde passa o período reprodutivo”, enriquece a explicação.

O longo caminho, iniciado no hemisfério Sul, muitas vezes não é completado. Alguns animais encalham e outros perdem as correntes marinhas e se afastam do grupo – situação mais comum aos pinguins. “Nesta época do ano, os pinguins partem de colônias reprodutivas na Argentina, Ilhas Malvinas e Chile rumo ao litoral brasileiro em busca de alimento e de águas mais quentes. Os grupos são formados principalmente por indivíduos juvenis, que se aventuram na primeira migração. O movimento migratório da espécie é influenciado pela corrente das Malvinas (Falklands). Essa corrente possui uma força de água fria que atinge a plataforma continental brasileira. As migrações são anuais e sazonais, ocorrendo entre maio e setembro”, complementa Thamires.

Por isso, há a possibilidade de serem encontrados nas areias das praias, situação que deve ganhar o aporte técnico do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos – que fará o resgate.  “Ao avistar um animal marinho encalhado na faixa de areia, esteja morto ou vivo, a comunidade deve acionar a equipe da Univali para que seja realizado o registro do indivíduo. O resgate é feito por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos. O acionamento pode ser feito pelo telefone 0800 642 3341, uma central que funciona diariamente das 8h às 17h30. A ligação é gratuita”, reforça Jeferson.

A pessoa deve informar a praia onde o animal encalhou, o município e um ponto de referência. “O acionante receberá orientações sobre os procedimentos que podem ser realizados para assegurar a segurança do animal e das pessoas até o momento do resgate. Esses procedimentos estão relacionados com a espécie em questão e com a condição de saúde do animal. É ideal que se faça uma foto do animal e envie para o WhatsApp que será informado pelo PMP-BS”, recomenda o oceanógrafo.

Nessas situações, o mais importante é garantir a segurança do animal e das pessoas ao redor. “Não devolva o animal para a água: se ele encalhou na faixa de areia é porque precisa descansar ou se recuperar de algum problema”, recomenda Jeferson. Essa regra não se aplica para os peixes, tubarões e raias. A aglomeração de pessoas em volta do animal e a presença de animais domésticos também deve ser evitada, pois gera estresse ao animal e pode fazer com que ele volte para água. 

TRATAMENTO

Animais marinhos vivos que são encaminhados para a Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, em Penha, recebem os primeiros atendimentos veterinários no momento de entrada. “Avaliamos a integridade física, a condição corpórea, a presença ou não de parasitas, os ruídos respiratórios, a frequência cardíaca e medimos a temperatura corporal”, ressalta o oceanógrafo. Os animais passam por uma série de diagnósticos e tratamento, coordenados por um médico veterinário, até sua estabilização.

Os animais são avaliados diariamente, recebem hidratação, alimentação e medicação quando necessário. Ao apresentarem uma melhora significativa e considerados estabilizados, os animais são encaminhados para a Associação R3 Animal ou Projeto Tamar, instituições executoras do PMP-BS em Florianópolis (SC), onde finalizam a reabilitação. Os animais recebem uma marcação e são reintroduzidos à natureza.

ANIMAIS MORTOS

Já os animais marinhos mortos passam por avaliação da condição de decomposição pelas equipes no momento do resgate.  “Independente da condição da carcaça, todos os animais mortos passam pelo processo de identificação da espécie, onde são obtidas as medidas biométricas e informações adicionais como sexo, estágio de desenvolvimento (juvenil ou adulto), condição corpórea e evidências que acusem a causa da morte (interações antrópicas, por exemplo)”, detalha Jeferson. Exames adicionais tentam identificar a causa da morte, um dos objetivos do PMP-BS.

O PROJETO

O PMP-BS é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

O objetivo é avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos encontrados mortos. 

O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. A Univali monitora o Trecho 4, compreendido entre Barra Velha e Governador Celso Ramos (SC).

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