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Piçarras
sexta-feira 1 de março de 2024


Roberto Duarte lança obra que remete à história afro de ‘Pissarras’

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O professor e escritor piçarrense, Roberto Duarte, acaba de lançar sua nova obra voltada ao público infanto-juvenil: Sinhá Preta. Em vinte e quatro páginas, finamente ilustradas por Iliane Regina Fleith, Duarte volta ao tempo da Pissarras através de Maria Rosa de Jesus, personagem central da narrativa histórica, para detalhar as origens afro da hoje Balneário Piçarras.

“É um livro de conhecimento sobre a história de Piçarras. Tem muito das raízes, da negritude piçarrana. Os costumes, daquelas histórias de assar um peixinho de tarde, das redes de arrasto. Tem o contexto histórico piçarrano”, detalha o escritor, que ocupa a cadeira número da 7 da Academia Brasileira de Letras Seccional de Balneário Piçarras.

Escrito e lapidado ao longo dos últimos dois anos, Sinhá Preta chega aos leitores com riqueza de detalhes que conseguem remeter ao nostálgico tempo “de uma simplicidade já perdida”. “Tem um misto de realidade e ficção, não posso dizer que é especificamente sobre uma pessoa. Mas é a história de uma mulher, que mesmo analfabeta, tinha muito conhecimento para repassar”, enaltece Duarte.

Piçarrense de 68 anos, Duarte realizou pesquisas junto à comunidade afro local e usou das suas quase sete décadas de vida para produzir cada frase da obra. “Foi inscrito com base em pesquisa e no meu próprio conhecimento local. Eu sou nativo daqui, nascido e criado aqui”, conta com orgulho. O escritor fez questão de reforçar a importância histórica das famílias Bonifácio, Rodrigues, Dos Anos, Dos Santos, Jesus, Ignácio e Tavares no contexto afro local.

O escritor custeou a obra. Imprimiu 500 exemplares, que serão comercializados através do site oficinabirodecriacao.com.br – editora que finalizou a obra. A jornalista Danielle Garcia foi responsável pela revisão textual. “A gente escreve na esperança de que as pessoas busquem pela literatura, mesmo sabendo que os livros caminham na contramão dos dias atuais”, analisa.

Ao longo de pouco mais de uma hora de entrevista, Duarte detalhou mais do que o enredo da obra. Falou sobre os tempos na Escola Alexandre Guilherme Figueiredo, da carreira de educador e também de suas atuais limitações impostas por um problema degenerativo na visão – nada que o impeça de produzir.  “Tenho outros livros no forno que em breve irei lançar também”, encerra.

 

Foto por: Felipe Bieging

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