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sábado 18 de julho de 2026

Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff completa 25 anos

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A união das dançarinas da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff, de Balneário Piçarras, chegou às Bodas de Prata no último dia 22.  Não obstante de um matrimônio, o amor pela dança e cumplicidade pelo processo de aprendizado fizeram parte dos 25 anos de atuação do grupo feminino de danças folclóricas da etnia russa – desenvoltura que ganhou os principais palcos do Brasil e foi destaque em diversos intercâmbios pelo globo.

“A data foi marcante (22 de agosto de 1996), pois naquela noite as senhoras bailarinas sentiram muito entusiasmo em não parar por ali, queriam aprender mais e mais, e sentir por muito mais vezes a emoção de pisar em um palco e receber os aplausos calorosos da plateia”, recorda-se a fundadora do grupo, a dançarina e coreógrafa, Angelina Blahobrazoff. Ela se refere à popular Noite do Folclore, evento que por muitos anos movimentou o estado com apresentações de cunho cultural.

Por conta dos 25 anos de formação, a Fundação de Cultura de Balneário Piçarras entregou uma placa de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido durante esse período. Na Câmara, tramita moção de aplausos à APAB, apresentada por Terezinha Elizete Pinto (PSDB), pelos serviços prestados e representando a cidade em diversos eventos.

O grupo composto principalmente por senhoras a partir de 35 anos, que apresenta danças folclóricas russas – seguindo a descendência paterna de Angelina, que nasceu no Irã e mudou-se para o Brasil aos 7 anos. A característica marcante do grupo é a técnica do “passo deslizante” retirado do tradicional grupo Berioska, da Rússia. Com movimentos delicados e precisos, executados ao som de suaves melodias, as coreografias exploram a sincronia dos braços e desenhos sobre o palco.

Com essas características, inúmeros foram os títulos, incluindo o ouro no Festival de Danças de Joinville (2009) e no Festival Desterro de Florianópolis (2018) – principais competições a nível nacional. “É sempre muito emocionante se apresentar com elas, percebemos a admiração do público e dos grupos que dividem os mesmos espaços conosco em festivais”, relata Angelina, aos 74 anos. “Ao chegarmos nos festivais nos olham com um ar de interrogação, pensando o que será que apresentaremos e sempre imaginando que não fazemos parte dos grupos competitivos”, brinca a coreógrafa.

Dos palcos brasileiros, a APAB também levou seu talento para diversos cantos do mundo. Sérvia (2007), Finlândia (2008), México (2009), Alemanha (2011) e Turquia (2012) receberam o grupo. “Ao longo destes 25 anos fizemos várias viagens para o exterior, e sempre voltamos com uma bagagem incrível de momentos engraçados, alguns tensos e outros muito emocionantes…”, enaltece Angelina. Em 2010, foi anfitriã para a visita de um grupo mexicano e em 2012 de um chileno.

Acometida de dois aneurismas, Angelina não parou. Limitou-se e adequou à rotina, mas manteve-se ativa junto ao grupo. “Este fato não me parou. Tento praticar todas as minhas atividades como se não tivesse limitações”, enaltece ela. As atividades do grupo, no entanto, ficaram restritas durante o período de pandemia. Gradativamente, os passos deslizantes vão ganhando sincronia. “Mas, há um mês reiniciamos nossos ensaios e a cada segunda-feira estamos recuperando nossas memórias, entusiasmo e união… logo estaremos com força total para novos espetáculos”, encerra.

[ABRE ASPAS]  Angelina Blahobrazof, dançarina e coreógrafa.

JC – Como a vida levou a coreógrafa Angelina Blahobrazoff a coordenar um grupo de mulheres para danças da etnia russa?

Angelina: A APAB surgiu com um convite feito pela professora Angelina às mães de suas alunas de dança e à algumas amigas que tinham interesse em praticar dança apenas como um passatempo útil ao corpo e mente. A primeira apresentação foi na Noite do Folclore, evento realizado anualmente pela prefeitura da cidade em homenagem ao dia do Folclore (22 de agosto). A data foi marcante, pois naquela noite as senhoras bailarinas sentiram muito entusiasmo em não parar por ali, queriam aprender mais e mais, e sentir por muito mais vezes a emoção de pisar em um palco e receber os aplausos calorosos da plateia.

JC – Anteriormente, atuava com qual público e em qual estilo?

Angelina: Sempre atuei oferecendo aulas de ballet clássico, jazz, yoga e danças folclóricas russas. atualmente sou a coreografa da APAB e ainda dou aulas de yoga.

JC – O que a trajetória da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff no mundo da dança significa para a senhora?

Angelina: A trajetória deste grupo é algo bem diferente dos grupos em geral, ele tem esta característica própria e incomum de as bailarinas serem senhoras – e mais ainda de este grupo de senhoras já ter recebido reconhecimento em tantos festivais. É sempre muito emocionante se apresentar com elas, percebemos a admiração do público e dos grupos que dividem os mesmos espaços conosco em festivais. Uma curiosidade interessante é que para os grupos que não nos conhecem, ao chegarmos nos festivais nos olham com um ar de interrogação, pensando o que será que apresentaremos e sempre imaginando que não fazemos parte dos grupos competitivos – mas, depois sempre se surpreendem quando conseguimos receber alguma classificação nos festivais.

JC – Ao longo desses 25 anos de atuação, qual, ou quais fatos mais lhe marcaram a vida junto à APAB?

Angelina: No último Festival Desterro de Florianópolis (2018), onde estivemos, recebemos além do primeiro lugar, o prêmio de melhor grupo da noite e indicação de melhor figurino. Nesta ocasião no início do dia ao chegarmos no teatro, uma moça que nos recebeu e ainda não nos conhecia, questionou se nós iriamos competir, e o rapaz ao lado dela (que já trabalhava no festival em anos anteriores) respondeu: querida, elas não vêm para competir, elas vêm para ganhar! E, assim, sempre vamos tendo momentos emocionantes que fazem não termos vontade de desistir e continuarmos a cada ano.  Ao longo destes 25 anos fizemos várias viagens para o exterior, e sempre voltamos com uma bagagem incrível de momentos engraçados, alguns tensos e outros muito emocionantes… Em uma destas ocasiões, tivemos um workshop no festival de Rovanieme, na Finlândia, com todos os grupos participantes do festival e em uma das conversas um outro grupo de danças russas (da Rússia) – que também se apresentou – demonstrou muita admiração de ter nos conhecido, pelo fato de no próprio país deles (Rússia) já não verem grupos com o folclore sendo tão fielmente apresentado. Claro que todas da APAB emocionadas com os comentários, tiveram ainda mais orgulho de participarem desta dança. Mas independente de o quanto são inspirantes as viagens para os festivais do exterior, se apresentar no palco de Joinville e receber as colocações de terceiro lugar (duas vezes), segundo lugar (duas vezes) e primeiro lugar (uma vez), ainda superam todas as emoções. É o meu maior reconhecimento, principalmente por este ser o maior festival do mundo e sabermos que lá estamos competindo só com os melhores.   

JC – A senhora também foi vítima de dois aneurismas e seguiu ativa no grupo e socialmente. Quem caminha pela cidade, com um pouco de sorte, consegue ter a grata satisfação de vê-la caminhando. Como essa situação de saúde mudou sua vida junto à dança?

Angelina: Os dois aneurismas que sofri me limitaram muito sim, na maneira de me expressar e no caminhar, desde então não dei mais aulas para crianças… Mas, este fato não me parou. Tento praticar todas as minhas atividades como se não tivesse limitações, ensinar dança e estar neste meio é o que me move, é o que me traz alegria e satisfação. Passamos por um momento muito delicado com a pandemia, quase dois anos sem atividades com a APAB, isto desestabilizou nosso grupo. Mas, há um mês reiniciamos nossos ensaios e a cada segunda-feira estamos recuperando nossas memórias, entusiasmo e união… logo estaremos com força total para novos espetáculos.

 

Dona Angelina

A coreógrafa da APAB, Angelina Blahobrazoff dá nome à Associação por ela fundada em 1996. Nasceu no Irã e migrou para o Brasil com sete anos de idade. O casal de russos Maria e Paulo Zemerov foram seus primeiros professores de ballet clássico em São Paulo.

Desde então, participou de vários programas nas TVs Record e Globo. Foi convidada especial no Teatro Municipal de São Paulo para dançar com um grupo de folclore russo em visita ao Brasil. Completou seus estudos com a faculdade de Pedagogia e cursos de Jazz e Hatha Yoga.

Foi parceira de dança do professor Ruslan Gavriluk, em Santo André (SP). Na escola União trabalhou por 13 anos como professora de dança. Em 1973, Angelina Blahobrazoff fundou sua própria escola em São Paulo. Logo em seguida foi diretora das três unidades da Academia Jazz Walk (SP). No Grupo Russo Troyka (SP) viajou como coreógrafa por vários estados do Brasil. E em Campinas das Missões (RS), montou as coreografias do grupo Troyka II.

Em 1993, veio para Balneário Piçarras onde começou a dar aulas de dança em algumas escolas da cidade e em parceria com a prefeitura. Atualmente é diretora e coreógrafa da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff, que vem fazendo apresentações em território nacional e internacional. Em 1996, deu início à APAB.

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