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sábado 13 de abril de 2024


Barra Velha inaugura Casa das Recordações Maria Bonita

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A cidade de Barra Velha acaba de ganhar um espaço de resgate à memória e identidade cultural local: a Casa das Recordações Maria Bonita. Composta por um valoroso acervo, cedido por influentes pesquisadores locais, a Fundação de Turismo, Esporte e Cultura (FUMTEC) oficializou a abertura das portas para visitação no último dia 16. É um convite à imersão histórica barra-velhense

“A Casa das Recordações tem como principal objetivo fomentar a cultura local, oportunizando a comunidade em conhecer a sua verdadeira história, ou seja, antes e depois de ser emancipada. Os álbuns apresentados logo na entrada, já proporcionam uma verdadeira viagem no tempo. É um acervo que contempla nossa cultura luso-açoriana”, enfatiza o diretor de Turismo da FUMTEC, Cristiano Zonta. Na cerimônia de inauguração, a neta de Maria Bonita, Elisa Maria Aymore Ladaga, representou a família.

Para ganhar corpo, o espaço teve a valorosa contribuição da curadora, Madalena Cristiane da Silva, que disponibilizou para a Casa o “Acervo da Balena”, fotos cedidas pelo professor e historiador, Cacá Fagundes, fotos e itens indígenas do professor Paulo, o artesanato cedido pela Associação Barravelhense de Artistas Plásticos e Artesãos (ASBART) e fotos do concurso de pintura, fotografia e desenho em alusão aos 60 anos de emancipação político-administrativa de Barra Velha.

Cristiano não quantificou o número de itens que formam a Casa, uma vez que o espaço será constantemente incrementando e reinaugurada. “Não vamos conseguir definir em números, até porque a Casa terá durante o período em que estiver aberta, a dinâmica de agregar itens, garimpar outras memórias compartilhadas através da comunidade. Outra situação que iremos praticar será a reinauguração diária do espaço. Existiam inúmeras homenagens que seriam realizadas em sua inauguração. Por conta da pandemia, optamos por praticar a cada homenagem realizada, a prática (mesmo que simbolicamente) da reinauguração. Serão realizadas ao longo das comemorações dos 60 anos de emancipação, 60 homenagens”, adiantou.

A escolha do local da Casa das Recordações Maria Bonita também possui história. Ela pertencia à avó do atual prefeito municipal, que faleceu aos 99 anos. “A escolha do local se deu por conta de a casa ter pertencido a avó do atual prefeito Douglas, Dona Ana de Jesus da Costa que desde o ano de 1978 residiu nesta casa até o ano de 2012, faltando 77 dias para completar 100 anos. Ela também faz parte da nossa história”, explicou Cristiano. A está localizada na rua Bernardo Aguiar, 300, no Centro.

A coordenadora da Direção de Cultura, Gorete Iung Henrique, e a atendente, Nayla, são quem recebem aos visitantes entre segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30.  Agendamento para grupos podem ser feitos pelo telefone 47 9 9260.7814. Visitas individualizadas podem ser praticadas sem o pré-agendamento.  “Para o próximo mês, há um estudo de ampliação nos horários de atendimento, ou seja, existe uma intenção de prolongar o horário até as 20h durante a semana e nos sábados e domingos das 14h às 20h”, encerrou Cristiano.

ABRE ASPAS | Cristiano Zonta, diretor de Turismo da FUMTEC

JC – Quem foi Maria Bonita?

Cristiano Zonta – Dona Maria Mello Rosa foi carinhosamente agraciada com dois apelidos: “Maria Bonita” ou “Mariquinha”. Sua beleza e simpatia, eram significativamente marcantes. Por onde passava, levava consigo a maior arma que ela amava ostentar: o sorriso largo no rosto. Popularmente conhecida como “Maria Bonita”, apelido que lhe foi dado devido as algumas características bem peculiares, era muito conhecida devido a sua elegância e pelo fino trato. Adorava andar, em sua bicicleta pela cidade, de vestido branco de renda com uma fita vermelha em seu chapéu, sempre elegantemente vestida e maquiada, mesmo após seus 90 anos de idade. Ela também participava das comemorações da cidade como passeios ciclísticos, caminhadas e fazia excursões contagiando a todos com sua alegria e carinho.

Era filha de Maria Perpetua Mello e Francisco Mello, nascida em 20 de março de 1915 no município de Tijucas do Sul (SC). Casou-se com Paulo Jose Rosa, com quem teve três filhos: a primogênita Salete Doracy Arzua Costa, logo após Eliene Maria Aymore e seu caçula Erisan Tadeu Rosa (in memoriam). Residiu em Barra Velha desde 1965. Em seus negócios “Maria Bonita” teve um restaurante bem frequentado na época, localizado nas proximidades onde se encontra a Praça Lauro Loyola, cujo o nome naquela época era chamado de a “La Belle Mari”. Dona Maria Mello Rosa faleceu em janeiro de 2008 com 93 anos, deixando filhos, netos e bisnetos.

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