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sábado 18 de julho de 2026

Elevação de encalhes fatais de baleias chama a atenção dos pesquisadores

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O grande número de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) registrados no litoral brasileiro nos últimos meses está chamando atenção da população e alertando os pesquisadores. Basta acessar as redes sociais para conferir diversas fotos e vídeos destes grandes animais em quase toda a costa. Mas, um dado alarmante vem sendo registrado: o alto número de encalhes fatais.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) Área SC/PR, que desde 2015 monitora diariamente a costa litorânea de Laguna (SC) até Guaraqueçaba (PR) em busca de animais marinhos encalhados, já registrou neste ano 27 baleias-jubarte sem vida. Destas, dez foram encontradas no litoral norte catarinense, cinco em Florianópolis e sete no litoral paranaense. Um número muito superior aos anos de 2019, com total de sete registros, e 2020, com apenas seis.

As equipes executoras do PMP-BS, sempre que possível, realizam o procedimento de necropsia nos animais encontrados sem vida com o intuito de identificar as condições de saúde em que eles se encontravam ao encalhar na praia e apontar possíveis causas que os levaram a morte. Nos procedimentos realizados nas jubarte nesta temporada de 2021, os profissionais encontraram muitos indicativos de emalhes acidentais com redes de pesca. Contudo, não é possível afirmar que este seja o fator responsável por todas as mortes, mesmo assim, evidencia uma necessidade de um olhar coletivo para este problema.

Já na quinta-feira, 12, uma baleia foi vista presa em uma rede de pesca, na região da Praia Alegre, em Penha. Voluntários tentaram o resgate, sem sucesso no momento.

Segundo o biólogo e coordenador geral do PMP-BS, André Barreto, o aumento de avistamentos pode ter diversas causas – como temperatura da água e escassez de alimento no trajeto. “A população das jubarte no Oceano Atlântico felizmente está crescendo, o que pode contribuir com o aumento de avistagens, mas acredito que não aumentou tanto de um ano para o outro, para justificar essa diferença que estamos observando”, afirma Barreto.

“Algo mudou neste ano para elas se aproximarem da costa, e não sabemos se foi algo na costa brasileira ou estamos vendo um reflexo de mudanças nas áreas de alimentação no continente Antártico”, acrescentou o coordenador. A presença das baleias-jubarte é comum no litoral do Brasil, pois entre julho e novembro, elas migram até o Sul da Bahia para reprodução e os estados de Santa Catarina e Paraná estão na rota deste percurso. Entretanto, não costumavam passar perto da costa e por isso não eram avistadas.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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