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terça-feira 23 de abril de 2024


Penhense é condecorado com troféu de reconhecimento cultural

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Renato Amorim, popular mosaicista e musicista de Penha, acaba de ser agraciado com um importante título de reconhecimento em prol da cultural local. O Núcleo de Estudos Açorianos (NEA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aceitou sua indicação para recebeu o Troféu Açorianidade 2021, na categoria artística plástico, que é condecorada com o Troféu Ilha das Flores.

“Eu acho que todo reconhecimento pelo trabalho que realizamos é bem vindo. Serve como estímulo e da mais confiança para seguir nesse caminho. Temos muitos artistas talentosos, o que torna mais difícil alcançar destaque. Trazer o troféu para Penha, minha cidade, me dá muita honra. O nome do troféu, ‘Ilha das Flores’ é uma coincidência que tem um significado especial, pois nessa ilha açoriana vive uma família muito amiga”, definiu o homenageado.

Renato foi indicado pela Fundação Municipal Cultural de Penha Picucho Santos para concorrer ao prêmio de reconhecimento. Para o presidente da Fundação, Eduardo Bajara, essa nova condecoração colabora para manutenção do legado histórico. “No caso do reconhecimento de nossos mestres e artistas, são cidadãos trabalhadores da Cultura que perpetuam e disseminam, mantendo em evidência a cultura de base açoriana na cidade e região”, pontuou.

O prêmio é oferecido anualmente pelo Núcleo de Estudos Açorianos (NEA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em dez categorias – batizadas com os nomes das nove ilhas do Arquipélago dos Açores e à Ilha de Santa Catarina. Em 2019, Penha ganhou o Troféu Ilha Graciosa com o escritor Cláudio Bersi de Souza e o Troféu Ilha Terceira com os Foliões do Divino. Já em 2015, a professora e pesquisadora de Penha, Maria do Carmo Ramos Krieger, também foi agraciada com o Troféu Ilha Graciosa.

SOBRE RENATO AMORIM

O interesse pela cultura do litoral catarinense o conduziu a uma pesquisa profunda sobre a cultura açoriana, onde passou a escrever para jornais e revistas da região sobre o tema. Em 2000, foi fundador e editor responsável do Jornal Folha do Itapocoroy.

Integrou o grupo de estudos do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA). Em 2003 participou do curso “250 anos, ao Reencontro das Raízes”, promovido pela região autônoma dos Açores nas ilhas Terceira, Pico e Faial. Esteve também na Ilha das Flores, onde havia iniciado um trabalho de pesquisa e intercâmbio com a radialista açoriana Regina Meirelles.

Em 2004 foi anfitrião da comitiva da Diretoria Regional das Comunidades da Região Autônoma dos Açores, iniciando processo de intercâmbio entre Penha, SC e Lajes das Flores, Ilha das Flores. Voltou a visitar o arquipélago em 2013, aprofundando ainda mais as pesquisas. Trabalha com mosaico desde 2001, quando iniciou na vida de mosaicista como autodidata, tendo realizado dezenas de trabalhos.

Renato participou de projetos com mosaicos na Espanha e em diversas cidades do Brasil. Dirigiu, junto com a mosaicista Brigida Detmmer, o projeto “Árvore de Peixes”, um painel com cerca de 15 m2, contendo 204 peixes vindos de diversas partes do Brasil e do exterior. Contemplado pela Lei Aldir Blanc, apresentou na Fundação Municipal de Cultura de Penha a palestra a distância, de forma digital, “Falando sobre Mosaicos”.

ABRES ASPAS – Renato Amorim, artista penhense

JC – Quais são os grandes desafios atuais para manter viva a cultura açoriana?

Renato –  Vivemos num momento de muitas tecnologias e inovações, isso torna nossa herança cultural mais valiosa. Todas etnias fazem algum trabalho para preservar e valorizar a memória cultural, isso também acontece com a cultura açoriana. Não é fácil, as coisas modernas engolem o passado. Mas não podemos desistir. A memória de um povo precisa ser preservada.

JC – Quando você descobriu sua veia artística? E o amor pela cultura açoriana?

Renato Trabalho com mosaico há 20 anos. Mas já antes, ainda na adolescência, me encantava com essa arte, sem saber que se chamava mosaico. As obras do espanhol Gaudí foram minhas primeiras referências. Me aventurei a fazer mosaicos como autodidata e nunca mais parei. Minha maior obra foi um mapa do arquipélago de Açores, com as 9 ilhas. Foi minha homenagem aos nossos antepassados, que ocuparam quase todo litoral de Santa Catarina e deixaram suas influências. Ouvi falar de Açores a primeira vez através de um professor, no ensino fundamental. Em 1994 passei a pesquisar sobre o assunto e me envolvi completamente. É muito bonita a riqueza cultural que herdamos desse povo. Já estive duas vezes visitando o arquipélago, o que serviu para aprofundar os conhecimentos e testemunhar na fonte toda influência que sobrevive em nossas comunidades tradicionais.

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