A presidente do Instituto do Meio Ambiente de Balneário Piçarras, Rosemari Bona, utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores, no último dia 18, para apresentar a versão do órgão para a mudança da destinação final dos resíduos da coleta seletiva municipal – através do projeto Recicla Aí. Ela afirmou que a cooperativa local, a Costa Verde e Mar, não possuía a documentação exigida para continuar recebendo os recicláveis e que por isso a mudança se tornou necessária – sendo o material transbordado para Cooperativa de Coletores de Material Reciclável da Foz do Rio Itajaí (Cooperfoz), de Itajaí.
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“A empresa que recebia os resíduos coletados em nosso município não atendia as condicionantes. Ela tinha uma autorização ambiental de 2019 que venceu em março de 2020. Foi dado um prazo de 60 dias para apresentar a certidão técnica da Secretaria de Planejamento, exigido pela FUNDEMA de Barra Velha, onde a empresa está localizada. Em fevereiro de 2021, foram notificados por não atender esses quesitos e, com a empresa estando no prazo de zoneamento tolerável de até seis meses, o IMP estava sendo conivente com uma atividade ilegal”, detalhou a presidente aos vereadores durante a sessão, também transmitida on-line.
Rosemari citou ainda que o material coletado no município voltou a ser enviado para a cooperativa inclusa no projeto elaborado pelo IMP e aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente – que subsidia a execução do Recicla Aí com uma quantia de R$ 2.742.500,00. O Recicla Aí recebeu a primeira classificação entre 1.200 concorrentes, quando 13 municípios foram classificados para receber verba federal para desenvolver iniciativas sustentáveis previamente cadastradas. Balneário Piçarras tem 36 meses, a contar de fevereiro de 2020, data da assinatura oficial do convênio, para colocar todo o projeto em prática.
“Nós apenas fizemos cumprir o que está no projeto Desde o começo era a Cooperfoz, que tem todos os documentos e licenças ambientais em dia. Não podíamos manter uma situação que infringia as condicionantes do projeto”, completou Rosemari, em conversa com o Jornal do Comércio. Mensalmente, cerca de 13 toneladas são recolhidas pelos caminhões da coleta seletivas nas residências piçarrenses e também nos ecopontos, destinadas agora à cooperativa itajaiense – cujo representante também utilizou a tribuna do parlamento no dia 18.
A ida de Rosemari à tribuna foi uma resposta direta à presidente da Cooperativa Costa Verde Mar, Eliane Danilau – que utilizou as redes sociais e a imprensa para manifestar seu repúdio à decisão. “Questionam o fato de o galpão da Cooperativa estar em Barra Velha. Sim, está. Mas nosso CNPJ é de Balneário Piçarras e nós tínhamos um compromisso, firmado pelo programa Recicla Aí, de que seria construído um galpão na Rua Ilhota (Itacolomi). Aqui, era apenas provisório, por uma questão de preço de aluguel, inclusive. Essa mudança tirou a renda fixa de 21 famílias locais”, desabafou ela, que também deve utilizar o espaço do parlamento para uma explicação.
ASSISTÊNCIA SOCIAL REINICIA TRABALHO DE CADASTRAMENTO
O secretário de Assistência Social de Balneário Piçarras, Paulo Debatin, também utilizou a tribuna do parlamento para verbalizar sobre a situação do projeto Recicla Aí – principalmente com respeito a inclusão dos trabalhadores locais na proposta. A equipe da pasta já cadastrou 47 profissionais que trabalham na coleta de reciclados e que tem interesse em integrar uma futura cooperativa municipal.
“A criação de uma cooperativa no município visa gerar renda, novas oportunidades e empregos indiretamente relacionados. Uma cooperativa não busca lucro, está n Lei. Ela busca fundos para pagar os custos da operação e dividir as sobras igualitariamente”, afirmou o secretário, que constatou a existência de aproximadamente 150 famílias que vivem de reciclados na cidade.
Reuniões de apresentação do projeto, nova triagem de interessados e detalhamentos técnicos do trabalho são os próximos passos da Secretaria para consolidar o processo de constituição da cooperativa. “O IMA irá construir o galpão para eles, como consta no projeto. Até lá, focaremos em constituir legalmente a cooperativa como deve ser, não como empresa”, finalizou.





