A justiça catarinense decidiu que Ralf Junior Dombek Manke irá enfrentar o tribunal do júri sob a acusação de duplo homicídio dos corretores de imóveis Deyvid Luiz Leite (46 anos) e Thiago Adolfo (29 anos). A decisão foi do juízo da Comarca de Balneário Piçarras após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), diante do crime ocorrido em 1º de julho de 2025. Defesa alega legítima defesa.
Segundo o MPSC, Ralf foi pronunciado por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O julgamento ocorrerá no Fórum da Comarca de Balneário Piçarras, em data ainda não confirmada.
Deyvid e Thiago foram mortos a tiros, disparados por Ralf com uma pistola calibre 9mm. dentro da imobiliária pertencente a Ralf, que também era sócio de Deyvid no negócio. Thiago, por sua vez, atuava profissionalmente em outra imobiliária. O crime teria ocorrido após uma intensa discussão.

Durante as investigações, Ralf declarou que Deyvid ainda lhe devia R$ 25 mil, valor referente à aquisição de uma parte de uma imobiliária. Segundo ele, o negócio foi firmado em R$ 300 mil, sendo dividido entre Deyvid e um terceiro envolvido, identificado como Rafael, com cada um assumindo o pagamento de R$ 150 mil ao empresário. Já Thiago teria atuado apenas como intermediador, sendo responsável por apresentar os compradores e facilitar a negociação.
Ralf acabou detido em flagrante em um posto de combustíveis em Balneário Piçarras, pouco tempo após o crime. Durante a abordagem, os policiais apreenderam o carro que ele conduzia, um Audi, além da arma, documentos e dispositivos eletrônicos. Naquele momento, ele admitiu a autoria dos disparos, mas sustentou que agiu em legítima defesa, sob a justificativa de que teria sido alvo de uma emboscada planejada pelos corretores.
O QUE DIZ A DEFESA
A defesa de Ralf Manke, representada pelo advogado Rodolfo Warmelin, informou que a decisão de pronúncia apenas admite a denúncia e encaminha o caso ao Tribunal do Júri, sem representar culpa. Segundo a defesa, durante a instrução foram produzidas provas que enfraquecem a versão inicial e apontam para legítima defesa. Ralf teria sido chamado para uma reunião em sua própria imobiliária, sem ter tomado a iniciativa, em um contexto de pressão empresarial que evoluiu para uma situação inesperada e tensa.
Ainda de acordo com a defesa, elementos técnicos indicam que o DVR do sistema de monitoramento foi retirado do local quando Ralf já estava preso, afastando qualquer suspeita sobre sua participação na supressão de provas. A defesa também sustenta que ele estava em desvantagem numérica e sob ameaça, o que reforça a tese de reação diante de risco iminente. Após o ocorrido, Ralf teria colaborado com as autoridades, se apresentado espontaneamente e entregue a arma, reafirmando confiança de que o júri reconhecerá que ele agiu para se proteger.
NOTA OFICIAL DA DEFESA
A defesa de Ralf Manke informa que, nesta semana, foi proferida decisão de pronúncia que admitiu a denúncia e determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri, nos termos da Constituição Federal, que atribui à sociedade o julgamento dos crimes dolosos contra a vida.
A decisão não representa responsabilidade criminal (culpa), uma vez que apenas permite o reconhecimento de que o caso deve ser submetido à apreciação dos jurados pela comunidade de Balneário Piçarras/SC.
Ao longo da instrução processual, foi produzido um conjunto robusto de provas que enfraquece significativamente a narrativa inicialmente apresentada. Tais elementos revelam, com clareza, a real dinâmica dos fatos e apontam para um cenário de legítima defesa.
As provas indicam que Ralf foi chamado à sua própria imobiliária para uma reunião que não partiu de sua iniciativa, em um contexto de pressão relacionado a questões empresariais.
Não houve planejamento ou provocação por parte de Ralf, que se encontrava em outras atividades comerciais ao lado de sua esposa. Ao contrário, a convocação partiu de uma testemunha e de uma das vítimas, para um encontro que rapidamente se revelou inexistente, evoluindo para um cenário imprevisível e de alta tensão.
Outro ponto de extrema relevância diz respeito ao equipamento DVR do local, responsável pelo armazenamento das imagens das câmeras de monitoramento. Informações técnicas e imparciais fornecidas pela empresa Intelbras demonstram que o dispositivo, que poderia esclarecer de forma definitiva o ocorrido e corroborar a versão apresentada pela defesa, foi retirado do estabelecimento quando Ralf já se encontrava preso.
Tal circunstância é reveladora! Isso porque, afasta qualquer suspeita de sua participação na retirada ou supressão dessa prova (DVR), evidenciando, inclusive, equívoco na interpretação inicialmente atribuída pela autoridade policial.
Além disso, os elementos colhidos evidenciam que Ralf estava em nítida desvantagem, diante da presença de múltiplas pessoas previamente articuladas para a reunião. Trata-se de um cenário concreto de inferioridade numérica, que contribuiu para a escalada de tensão e para a percepção de risco imediato. Soma-se a isso a extração de dados dos aparelhos celulares das vítimas e da testemunha presencial, que demonstram o efetivo interesse dos envolvidos em ameaçar e coagir Ralf.
Os depoimentos colhidos também evidenciam a ausência de qualquer motivação prévia por parte de Ralf, reforçando que os fatos ocorreram de forma inesperada, em um contexto de forte pressão e risco real.
Diante desse quadro, a defesa sustenta que Ralf agiu para se proteger diante de uma agressão que compreendeu como atual e iminente, dentro de seu próprio estabelecimento, utilizando arma regularmente registrada.
Após os fatos, sua conduta foi plenamente compatível com quem não tem nada a esconder: acionou a Polícia Militar, apresentou-se espontaneamente, entregou a arma utilizada e colaborou integralmente com as investigações, inclusive fornecendo acesso ao seu telefone celular, à imobiliária e ao sistema de monitoramento.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e, especialmente, na população de Balneário Piçarras/SC, que conduzirão o julgamento, acreditando que a análise completa e responsável das provas, muitas das quais ainda não vieram a público, demonstrará que Ralf não agiu como agressor, mas como alguém que reagiu diante de um risco concreto.
Rodolfo Warmelin, advogado





