O Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí condenou, na noite desta quinta-feira (2), Walter Alexandre Gonçalves, de 25 anos, e Fábio Almeida de Araújo, de 20 anos, pelos assassinatos de Susimara Gonçalves de Souza e Pedro Ramiro de Souza, ocorridos em novembro de 2024. O crime, que chocou Santa Catarina, foi motivado por interesse financeiro, segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que sustentou que Walter planejou a morte da mãe e do padrasto para antecipar o recebimento da herança.
O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público e condenou Walter pelos crimes de feminicídio majorado, homicídio qualificado e fraude processual, fixando a pena em 61 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado. O julgamento durou 13 horas.
Fábio Almeida de Araújo, cunhado de Walter, também foi condenado por feminicídio majorado, homicídio qualificado e fraude processual, recebendo pena de 44 anos e 4 meses de reclusão, além de seis meses de detenção e 20 dias-multa, também em regime inicial fechado.
Os réus permanecerão presos. Ao final da sessão, a Justiça manteve a prisão preventiva de ambos e negou o direito de recorrer em liberdade.
Durante o julgamento, o Ministério Público foi representado pela promotora de Justiça Marina Tambeira, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Itajaí, e pelo promotor de Justiça Fabrício Nunes, integrante do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GEJURI).
Ao longo da sessão, foram ouvidas quatro testemunhas, além dos interrogatórios dos acusados e dos debates entre acusação e defesa. O Ministério Público sustentou que os dois atuaram de forma conjunta e premeditada, destacando o planejamento do crime e a motivação patrimonial.
Segundo a denúncia, os fatos ocorreram na noite de 23 de novembro de 2024, quando Walter e seu cunhado invadiram a residência das vítimas por volta das 22h20 e permaneceram escondidos por mais de duas horas, aguardando o retorno do casal. Após a chegada de Susimara e Pedro, ambos foram mortos por asfixia.
Na sequência, os acusados subtraíram celulares e alianças das vítimas e alteraram a cena do crime para simular um assalto, com o objetivo de dificultar as investigações. Conforme apurado pelo Ministério Público, Walter teria prometido cerca de R$ 10 mil a Fábio para auxiliá-lo na execução dos homicídios.
Durante o julgamento, a promotora Marina Tambeira destacou que a atuação do Ministério Público buscou assegurar a responsabilização dos envolvidos com base nas provas produzidas ao longo do processo. Já o promotor Fabrício Nunes ressaltou a robustez do conjunto probatório e a gravidade da conduta praticada pelos condenados.
Com a decisão do Tribunal do Júri, os dois foram condenados pelos homicídios e permanecerão recolhidos ao sistema prisional para o cumprimento das penas.





