Por recomendação dos pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), os maricultores de Penha terão que afastar suas produções da costa em mais 500 metros. Entre os motivos apontados pelos estudiosos, o principal é o alto índice de poluição diagnosticado pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) nas águas penhenses.
“Recomendamos o afastamento pois há muitas bocas de lobos nas proximidades das áreas de cultivo e que podem interferir na qualidade do marisco”, explica o professor pesquisador da Universidade, Gilberto Manzoni. Entretanto, ele afirmou que recentes estudos ainda não diagnosticaram interferência dos coliformes fecais nos mexilhões.
A indicação aos maricultores é baseada nas últimas análises da qualidade da água das praias de Penha, estudo feito pela Fatma. As três últimas apontaram sete praias impróprias no município por decorrência da ligação de esgotos que desembocam diretamente na água do mar e podem afetar o ecossistema.
Com o distanciamento da produção, os tonéis de marisco ficarão a um quilômetro da costa. Desta forma, o aspecto visual também melhora. Este é outro ponto apontando pela Univali para o distanciamento da produção. “Uma portaria do Ibama permite que somente 10% da costa seja utilizada e hoje já utilizamos 18%. Com o distanciamento, haverá uma melhora visual”, explica Manzoni.
O outro motivo para o pedido de afastamento decorre dos dejetos, naturalmente, liberados pelos mexilhões. “Quanto mais longe a produção estiver, mais fácil vai ficar desses dejetos atingirem o alto mar”, conta o pesquisador. A mudança das áreas, no entanto, deve acontecer gradualmente, por questões burocráticas da liberação de uma nova área de cultivo.
Nova área de cultivo deverá aumentar a produção em 20%
A Marinha liberou a produção de marisco em mais dois lotes da costa penhense. Contudo, a nova área ficará a três quilômetros da praia, na enseada de Armação, e deve produzir mais de 150 toneladas do produto ao ano. “Será o parque produtivo mais afastado da costa, em Santa Catarina”, define Manzoni.
A área será ocupada assim que toda documento de usufruto estiver liberada pela Marinha. “A licitação dos lotes já foi feita, mas faltam documentos para ocupação. Somente burocracia”, explica o professor, prevendo que o cultivo nestas áreas comece no ano que vem, assim como o distanciamento da produção interna da costa.
Manzoni estima que as novas áreas irão produzir entre 150 e 200 toneladas do produto ao ano, melhorando a produção local em 20%. “Hoje Penha produz mais de três mil toneladas de marisco”, salientou. “O marisco, produzido a três quilômetros da costa, terá uma qualidade ainda maior”, finalizou.
Foto por: Felipe Bieging





