Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, 30, o prefeito de Barra Velha, Douglas Elias da Costa (PL) conversou com os jornalistas a respeito de seus 100 primeiros dias de mandato – completados oficialmente em 10 de abril. De forma bastante espontânea, como lhe é característico, o gestor municipal confessou ter ficado “assustado” com a carga de reclamações e problemas que herdou, principalmente com relação ao volume da dívida municipal: R$ 15,5 milhões.
“Tirando esses problemas que a gente já sabia que ia ter, nós também pegamos a Prefeitura com uma dívida de aproximadamente R$ 15 milhões. Já pagamos R$ 7 milhões e o restante vamos pagando no decorrer do ano. Estamos colocando a casa em ordem, fazendo o dever de casa”, afirmou Douglas, citando anteriormente que “a nossa dificuldade foi justamente a falta de documentos que, ou levaram embora, ou arquivaram de uma forma que nós ainda não conseguimos encontrar. Isso nos deixou bastantes sufocados de serviço nesse começo de governo”.
O secretário de Finanças e Administração, Mauro Silva, que acompanhou a coletiva de imprensa – junto da Procuradora Geral, Sheila Jaqueline da Costa Scherer e do secretário de Indústria e Comércio, Aldair Nizer – detalhou a formação da dívida herdada. “Da Educação teve várias coisas que foram empenhadas e não foram liquidadas, além de fornecedores de obras. Mas, basicamente é da Educação. Precatórios que eram para terem sido liquidados em 2020 e não foram – já que eles precisam ser liquidados dentro do exercício fiscal e por isso tivemos que fazer agora. Além disso, rescisão de funcionários, na faixa de R$ 800 mil, R$ 900 mil. São várias atenuantes que levaram a isso”, complementou.
Por conta de toda essa situação, Douglas disse que vem recebido pressão para detalhar afundo as finanças – o que ele chama de “caixa preta da Prefeitura”. “Várias pessoas pediam para que fizéssemos uma auditoria, para que abríssemos a caixa preta da Prefeitura. Mas, confesso a vocês, o começo da gestão tem sido tão complicado, com muito trabalho, que ainda não sei. O que eu posso dizer é que nós assumimos a Prefeitura com muitos documentos em falta, muitos contratos em andamento. Nós também ainda estamos colhendo essas informações e no momento certo nós vamos levar ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público, que são os órgãos competentes”, detalhou o prefeito.
OS 100 DIAS
Questionado se esses foram os 100 primeiros dias de trabalho que previa, Douglas categorizou que sim. Frisou que se preparou por 16 anos para chegar à principal cadeira administrativa da municipalidade e que já previa a alta demanda de problemas. “Foram os 100 dias que eu esperava. Apesar de eu já ter a experiência como vereador e ter vivido aqui dentro com os ex-prefeitos Matias e Samir, confesso que no começo eu me assustei com a forma como tudo foi deixado – a parte administrativa e contábil da cidade. Estava muito abandonado, muito largado”, respondeu.
“A quantidade de cobranças e problemas de imediato, me assustaram de início. Eu sempre comentava que iriam faltar horas no dia para resolver tudo. Se eu pudesse fazer um decreto para aumentar o dia para 30 horas e a semana para 10 dias, eu teria feito”, acrescentou. Entretanto, acredita que a população já pode notar a identidade do governo defendido ao longo do pleito eleitoral. “Resumindo: depois desses 4 meses, a gente já consegue ver que a cidade está num novo caminho. A população enxerga que existe uma administração diferente. A cidade já está mais limpa e a casa está em ordem. A Prefeitura já está nas nossas mãos, tudo está sob controle”, analisou ele.
OUTROS PONTOS DA COLETIVA
Douglas respondeu às perguntas por quase uma hora, abordando também temas como a ponte sobre o Rio Itajuba, Recicle, Casan, reforma administrativa, hospital e que irá executar 30 obras até o final de seu mandato. “Imagina se, num fechamento da BR-101, passa pela ponte um caminhão carregado de bobinas de aço e ela cai? Nossa cidade não merece isso”, comentou, detalhando que a nova ponte custará cerca de R$ 3 milhões e que as obras devem começar até final de julho.
Detalhou que vem brigando na justiça com a Recicle para que o reajusta da tarifa de lixo seja revogado e que deu prazo de seis meses para que a Casan apresente um cronograma concreto sobre as obras de saneamento básico na cidade. “As grandes empreiteiras buscam cidade com sistema de tratamento de esgoto, coisa que Barra Velha ainda não tem”, lamentou.
Quanto ao hospital, disse que é uma promessa de sua campanha e que já trabalha nos projetos embrionários. A questão está ligada diretamente à afirmação de que irá desenvolver 30 obras públicas na cidade – que devem sair do papel por meio de convênios e parcerias. “Nós estamos buscando uma série de parcerias políticas junto aos Governos Estadual e Federal, além e com a iniciativa pública-privada para mudar essa conta de que tudo quem paga é o município”, explicou o prefeito sobre como pretende subsidiar as execuções.
O tema político não ficou de fora. Apesar de garantir bom relacionamento com a Câmara de Vereadores, Douglas não descarta ser alvo no futuro. “Eu sinto que, como a gente optou por não fazer coligação e a gente deixou vários grupos políticos de fora, que estão trabalhando por fora para a classe política buscar isso aqui (Prefeitura) de novo. Talvez eles comecem a usar os vereadores para fazer isso acontecer. Porque a gente deixou dois grupos políticos grande de fora. Essa é a grande verdade. Grupos antigos da política e a gente deixou de fora” , observou o prefeito.
Ao final da coletiva, garantiu que buscará escrever rumos lícitos em meio à conturbada política barra-velhense. “A gente entrou para fazer um mandato diferente. Já tivemos erros? Já tivemos, somos seres humanos. Mas, foram muitos acertos. Nós já fechamos bastante torneiras. Daqui há pouco o povo vai entender um pouquinho melhor para o que viemos”, encerrou.
Foto por: Felipe Franco





