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quarta-feira 8 de julho de 2026

Balneário Piçarras vacina o primeiro médico indígena do Brasil

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Balneário Piçarras vacinou na manhã desta sexta-feira, 22, o primeiro médico indígena do Brasil: Virlei Primo Junior, que atende na Unidade Básica de Saúde do Nossa Senhora da Paz. Ele reside no município a cinco anos, lida diariamente com suspeitas da doença e atuou na linha de frente de combate ao coronavírus desde os primeiros dias da pandemia, quando toda questão viral ainda era uma incógnita. “O sentimento de ser vacinado foi de esperança e confiança”, resumiu o profissional.

Ele reforçou total confiança nas vacinas que serão disponibilizadas, justamente por conta da tecnologia que cerca cada estudo científico. “Confiança nas novas tecnologias que estão por trás dessas vacinas, confiança nos profissionais que estão estudando essas vacinas e principalmente confiança e fé em Deus que tudo irá se resolver e aos poucos muito em breve voltaremos em parte a nossa rotina”, acrescentou Virlei, formado pela Universidade Estadual de Maringá (PR), em 2015, através do primeiro Vestibular Indígena do Paraná.

Ele recorda-se das dificuldades das primeiras semanas do enfrentamento da doença, onde ainda faltavam respostas dos profissionais aos pacientes. “Nós que atuamos na linha de frente, vivenciamos na pele a impotência de lidar contra algo desconhecido e que em pouco tempo vitimava muitas pessoas ao redor do mundo. Foi difícil no início conscientizar a população da importância de seguir os protocolos imposto pelos órgãos competentes e fazê-los acreditar que o vírus existia, que era perigoso e, pior que isso, sem uma medicação eficaz para seu controle”.

Virlei – que é da etnia Guarani Nhandewa, da Terra Indígena Laranjinha, em Santa Amélia (PR) – observa que a liberação emergencial da vacina, pela Anvisa, é uma vitória social sobre a dos interesses da “politicagem”.  “Eu defino a autorização como uma vitória do povo sobre a politicagem sem medidas que estamos passando em plena pandemia. Sabemos que as vacinas ainda estão em fase de testes, mas não temos outras opções e os casos só aumentam aqui e lá fora…Então considero sim uma vitória e espero que ela traga bons resultados”, analisa.

A campanha de vacinação no Brasil é definida por Planos Estaduais. Em Santa Catarina, ela foi dividida por grupos prioritários até atingirem a população total. A vacinação, contudo, não é obrigatória – condição respeitada pelo médico. “Acredito ainda que vivemos em um país democrático e de direito onde cada cidadão tem o livre árbitro da escolha. Eu escolhi acreditar e confiar”, comenta Virlei, que desde os 11 anos de idade traçou a realização do sonho de se formar em medicina.

Em uma entrevista concedida à jornalista do G1PR, Luciane Cordeiro, Virlei contou em detalhes sua história acadêmica. Num dos trechos, ele afirma que enfrentou o preconceito dos colegas, o choque cultural e dificuldades de aprendizado trazidas desde o ensino básico. “Entrei na universidade por um sistema diferente, então a aceitação foi complicada. Ao longo do tempo, depois de batalhar muito, conquistei espaço e respeito de toda a comunidade acadêmica. Foram anos difíceis, período que só tive apoio de dois colegas de turma que me ensinaram conceitos básicos e me fizeram avançar no curso. Perseverei e realizei um sonho. A formatura significa mais do uma simples vitória”, contou Virlei à jornalista.

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