Os atrasos na execução do projeto da nova ponte sobre o Rio Piçarras, limite dos municípios de Balneário Piçarras e Penha, estão impactando diretamente na economia piçarrense – principalmente aos comerciantes da região central. Com baixo fluxo de pessoas pela avenida principal, eles registram quedas nas vendas e estão tendo que tomar medidas de contenção para manter as portas abertas na principal época do ano, situação agravada pela pandemia.
Nicolas Schneider é dono de um estabelecimento de alimentos naturais. Além das perdas financeiras estimadas em 30%, ele carrega o sentimento desrespeito pelo descumprimento dos prazos iniciais. “Me senti desrespeitado, pois eu como comerciante cumpro com minhas obrigações, e não cumprindo, sou punido. Já o poder público, promete, não cumpre, faz corpo mole e o que acontece?”, comparou. Sem movimento, ele precisou reduzir a equipe.
“Meu comércio perdeu fluxo diário antes da temporada, em razão das obras, as entregas pra Penha não são praticamente possíveis ou lucrativas, pelo tempo/transtorno/risco de fazer o novo trajeto. Na época de mais fluxo foi onde mais perdemos, pois as pessoas que deveriam estar no comércio, estavam paradas no trânsito”, acrescentou Nicolas. A situação de Mariana Reinhardt é um pouco mais delicada.
Ela afirmou à reportagem que precisará fechar as portas de uma de suas lojas, a mais próxima da obra. “A minha loja, mais próxima a ponte, comecei demitindo uma funcionária e agora demitimos mais um e vamos fechar. Infelizmente a pandemia, seguida do fechamento da via, não tive como sobreviver. Mas a ponte foi crucial, a falta de movimento não tivemos continuar”, analisou.
No último dia 7, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Balneário Piçarras (CDL) se reuniu com o prefeito, Tiago Baltt (MDB). A CDL cobrou dados mais concretos sobre o andamento das obras. Não houve a confirmação de um prazo para o término real das obras, mas o Governo disse, em nota, que está fazendo o “acompanhamento constante da execução da obra e há possibilidade de um aditivo para acelerar o serviço”. Por força de contrato, aditivado em dezembro, a empresa pode concluir a obra até 4 de setembro.
Ao Jornal do Comércio, a nova gestão disse que “em termos legais, a obra pode ser entregue em setembro, mas o prefeito está tentando antecipar esta data para fevereiro ou março. O próprio prefeito tem vistoriado a obra e está tentando fazer com que o processo de construção da ponte seja feito com rapidez e qualidade. O prefeito reconhece a dificuldade que esta obra tem gerado para as pessoas, para os comerciantes e para o turismo da cidade, e isso faz com que ele se faça presente em todas as etapas para que a obra seja finalizada o mais rápido possível”.
O Governo Municipal oferece serviço gratuito de transporte do bairro ao centro, frisando que a ponte está bloqueada para a passagem de pedestres e ciclistas – mesmo que isso já venha ocorrendo. “Para que a obra seja executada com eficiência, é fundamental que o trânsito de pessoas e ciclistas seja interrompido, para segurança de todos. Qualquer coisa que aconteça na ponte, pelo fato de ela ainda não ter sido finalizada, é de responsabilidade da empresa executo. E para que ela trabalhe com segurança, é necessário vetar o acesso de qualquer pessoa que não seja integrada à operação da obra”.
A Assessoria de Imprensa da gestão do então prefeito Leonel Martins (PSDB) afirmou, por nota oficial, que não pode cumprir com as datas de entrega anunciadas (dia 14 de dezembro e depois dia 31 de dezembro) porque “a previsão do tempo não ajudou o cronograma de obras, que foi prejudicado, principalmente na concretagem da ponte. Inclusive a etapa terá que ser reavaliada já que houve a passagem de pedestres indevidamente antes da secagem do concreto”.
Foto por: Felipe Franco





