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quarta-feira 15 de julho de 2026

Caso Nicolas: Mãe vinha sendo aliciada desde a gravidez, confirma delegada

“Em um ato de desespero, entrou em contato com eles, e entregou a criança no dia 30”, afirmou a delegada, pontuando que ela vinha sendo aliciada desde a gravidez

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A delegada catarinense que coordena a investigação sobre o caso do bebê Nicolas Areias Gaspar (2 anos), Sandra Mara Pereira, confirmou que a criança foi entregue ao casal preso nesta segunda-feira, 8, pela mãe (22 anos) após longo processo de aliciamento de Marcelo Valverde – suspeito de integrar uma quadrilha de tráfico de crianças. Ela vinha sendo aliciada pelo homem desde sua gravidez, que teria se aproveitado de sua fragilidade financeira e emocional para convencê-la a proceder com a adoção irregular.

Em entrevista ao Bora Brasil, da Band, a delegada detalhou que a mãe enfrentou a gravidez sozinha e que procurou grupos de autoajuda em redes sociais – momento da aproximação de Marcelo, preso junto de Roberta Porfírio. Dois anos depois, “em um ato de desespero, entrou em contato com eles, e entregou a criança no dia 30”, afirmou a delegada, ressaltando a situação de vulnerabilidade emocional da mãe, que já foi vítima de violência.

“A intenção deles (Marcelo e Roberta, que não são casados) era fazer uma adoção do Nicolas. Provavelmente não estavam querendo aguardar uma adoção legal, que leva um certo tempo”, complementou a delegada. Marcelo foi quem fez toda a intermediação para que Roberta pudesse ficar com o menino ilegalmente. As autoridades investigam se houve transação financeira no processo. No primeiro interrogatório à Polícia, ambos optaram pelo silêncio. A criança seria entregue a outro casal.

Marcelo é apontado como integrante de uma quadrilha de tráfico de crianças. Ao portal G1SC, Sandra Mara detalhou que “é a ponta de um iceberg. A nossa investigação, uma das linhas era essa, de que era uma quadrilha que fazia tráfico de pessoas, fazia adoção ilegal. Tanto é que ela, a mãe da criança, entregou a certidão e a carteira de vacinação para a Roberta, para quem veio aqui buscar a criança”, disse a delegada que comanda a Delegacia de Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCami) de São José.

Nicolas desapareceu de São José no último dia 30 e foi encontrado em São Paulo na tarde desta segunda-feira, 8. Sua mãe estava na UTI de um hospital. O motivo da internação foi a ingestão de medicamentos após a entrega da criança. Ela prestou depoimento à Polícia Civil no final do dia de ontem, 8, dando sua primeira versão dos fatos.

Eles foram presos por tráfico de pessoas. O artigo 242 do Código Penal descreve como crime o ato de registrar o filho de outra pessoa como próprio. A pena prevista é de 2 a 6 anos de reclusão.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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