A Justiça de Santa Catarina designou para o dia 10 de junho a nova sessão do Tribunal do Júri que irá julgar os réus Bruna Cristiane Reinlein Aymone e Nilton Cesar Vieira, acusados de matar a menina Júlia Luany Aymone Alves, de 12 anos, em Penha, em 2015. O processo contra a mãe e o padrasto tramita desde 2015 e já teve um julgamento anterior anulado pelo Tribunal de Justiça (TJSC).
A decisão judicial considera que o caso está apto para ser levado novamente a júri popular, após o cumprimento de todas as etapas processuais. Em maio de 2025, o caso chegou a ser julgado pelo Conselho de Sentença. Na ocasião, Bruna foi beneficiada pela negativa de autoria e Nilton foi absolvido com base na chamada absolvição genérica. O novo julgamento será na Comarca de Balneário Piçarras
Segundo a denúncia do Ministério Público, os acusados respondem por homicídio qualificado, com base no artigo 121, parágrafo 2º, incisos II e IV do Código Penal. A acusação foi formalizada em 2016, e ao longo dos anos o processo passou por diversas fases, incluindo audiências, oitiva de testemunhas e apresentação de provas.
Os dois réus, ambos em liberdade, foram pronunciados pela Justiça, ou seja, houve o entendimento de que há indícios suficientes para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.
PRIMEIRO JULGAMENTO FOI ANULADO
Em novembro passado, o TJSC concluiu que as versões apresentadas pelos réus são incompatíveis com as provas do processo. As evidências indicam que Bruna foi a autora do crime e Nilton participou dele, tornando incoerente a absolvição. O próprio júri havia reconhecido a participação de Nilton, mas o absolveu sem base legal. De acordo com o TJSC, os jurados ignoraram elementos contundentes, como laudos periciais e contradições nos depoimentos dos réus – por isso, a decisão foi considerada contrária às provas dos autos, determinando um novo julgamento.
O CRIME
O crime ocorreu em 20 de fevereiro de 2015, em uma casa de veraneio na Praia Grande, em Penha, onde a vítima morava com a mãe e o padrasto. Júlia foi encontrada morta na sala, com ferimentos provocados por arma branca no pescoço e no tórax. A cena não apresentava sinais de arrombamento. A perícia apontou que a menina havia sido ferida com uma faca de cabo branco, identificada posteriormente com impressões digitais da mãe, Bruna Aymone, empunhada em posição de ataque.
Policiais que atenderam à ocorrência relataram que não havia indícios de invasão nem pegadas de terceiros no local, o que contradiz a versão inicial dos acusados – de que um “ladrão foragido” teria invadido a casa e assassinado a criança. Testemunhas afirmaram ainda que o casal se acusou mutuamente na delegacia. O padrasto, Nilton Vieira, chegou a ser apontado como autor de abusos sexuais contra a enteada, hipótese também levantada pela investigação.
Os laudos periciais reforçam a suspeita de que o crime ocorreu após uma discussão entre os réus e a vítima. Além disso, segundo o TJSC, a postura de ambos após o crime – incluindo a tentativa de alterar a cena e lavar a faca usada – indicam tentativa de ocultar provas.





