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quinta-feira 2 de julho de 2026

Presidente do MDB de SC critica articulações internas e defende protagonismo do partido em carta aberta

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O presidente do MDB em Santa Catarina, Carlos Chiodini, divulgou nesta terça-feira (28) uma carta aberta direcionada aos filiados do partido, na qual faz duras críticas ao momento político da sigla no estado e defende a retomada do protagonismo nas próximas eleições.

No texto, Chiodini afirma que o MDB atravessa um período de enfraquecimento, evidenciado pelos resultados eleitorais recentes. Segundo ele, o partido ficou fora do segundo turno nas eleições ao governo estadual em 2018 e 2022, o que resultou na redução das bancadas e na perda de espaço político.

Isso não é estratégia. Isso é apequenamento

Diante desse cenário, o dirigente sustenta que o caminho deveria ser a reconstrução com liderança própria. “O MDB sempre foi grande porque pensava grande”, destaca, ao defender que a sigla volte a disputar posições majoritárias com independência.

A carta também traz críticas a articulações internas recentes. Sem citar nomes, Chiodini menciona a existência de movimentos que, segundo ele, tentam conduzir o partido a uma posição subordinada em alianças políticas, com foco em interesses pontuais. Para o presidente estadual, esse tipo de estratégia representa um “apequenamento” da legenda.

O dirigente ainda afirma que o MDB foi “preterido” pelo atual governo estadual e questiona a possibilidade de alinhamento automático com a gestão. Para ele, o partido não deve assumir papel secundário em projetos políticos que não respeitem sua trajetória.

Chiodini também faz um alerta sobre o futuro da sigla, que completa 60 anos em Santa Catarina. Segundo ele, há risco de fragmentação interna e de perda de relevância política caso não haja uma reação imediata. “Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância”, escreveu.

Por fim, o presidente defende o respeito às decisões dos diretórios municipais e sinaliza apoio a um projeto político que envolva outras siglas, reforçando a necessidade de unidade interna e de construção de uma estratégia consistente para os próximos pleitos.

A manifestação evidencia o momento de tensão e debate dentro do MDB catarinense, em meio às discussões sobre alianças e posicionamento do partido no cenário político estadual.


LEIA A CARTA ABERTA NA ÍNTEGRA

“Caro amigo emedebista,

Chegou a hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo. O momento que o MDB de Santa Catarina atravessa exige coragem, não silêncio.

Em 1999, filiei-me ao PMDB com apenas 17 anos. Não foi um movimento oportunista; foi uma escolha de vida. De lá para cá, enfrentamos batalhas duras, disputamos eleições difíceis, ajudamos a construir governos e fomos protagonistas em momentos decisivos do nosso Estado. O MDB sempre foi grande porque pensava grande.

Mas os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada. Em 2018, ficamos fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar Santa Catarina.

Diante disso, o caminho natural seria a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço, organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não como coadjuvante.

Após ser esnobado e preterido pelo atual Governo no início deste ano, o MDB, em vez de se posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história. Um movimento que tenta empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais, como uma eventual suplência ao Senado, e não em um projeto real que respeite o tamanho de uma sigla que ajudou a construir Santa Catarina.

Isso não é estratégia. Isso é apequenamento.

É preciso dizer com todas as letras: o MDB não nasceu para ser figurante. Não nasceu para aceitar migalhas. Não nasceu para ser linha auxiliar de um governo que não nos respeita, não na minha gestão como presidente.

Quero deixar claro: se estivesse pensando em um projeto pessoal, já teria ocupado espaços, cargos ou feito qualquer composição conveniente. Caminhos não faltaram. Porém, nunca foi esse o meu compromisso. Tenho uma trajetória de lealdade ao partido, não de conveniência pessoal.

O que está acontecendo hoje é grave. Aos 60 anos, o MDB de Santa Catarina corre o risco dese transformar em um partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo. Um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar.

Precisamos reagir. O MDB tem tamanho, história, capilaridade e liderança para disputar a majoritária. Vamos respeitar os diretórios municipais que decidiram estar em um projeto de verdade, que votaram a favor de compor a chapa com PSD e União Progressista. Aos líderes partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos esta batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar.

Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância. Essa é a escolha que está diante de todos nós.

Carlos Chiodini
Presidente do MDB de Santa Catarina
Santa Catarina, 28 de abril de 2026″

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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