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segunda-feira 10 de agosto de 2026

Justiça manda soltar ex-vereador de Penha e seu ex-chefe de gabinete

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A Justiça de Santa Catarina revogou, nesta segunda-feira (10), a prisão preventiva de Luciano de Jesus da Silva e Fabricio de Liz, réus em uma ação penal que apura suspeitas de crimes contra a administração pública no Legislativo de Penha. A decisão foi tomada pelo juiz Douglas Braida de Moraes, da 2ª Vara da Comarca de Penha, após o encerramento da fase de instrução do processo.

Na audiência realizada nesta segunda-feira, foram ouvidas duas vítimas e cinco testemunhas. Neto. Na sequência, Luciano e Fabricio foram interrogados. Com o encerramento das oitivas e sem novos pedidos de diligências, a fase de instrução probatória foi concluída. A defesa então pediu a revogação da prisão preventiva e a aplicação de medidas cautelares alternativas. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) se manifestou favoravelmente ao pedido.

Ao analisar a solicitação, o juiz considerou que os fundamentos que justificavam a prisão preventiva não permanecem com a mesma intensidade. Como a instrução criminal foi encerrada, o magistrado entendeu que não existe mais risco à produção de provas. Também avaliou que não havia, naquele momento, elementos que demonstrassem perigo atual à ordem pública ou à tramitação do processo.

Com a revogação da prisão, os dois deverão cumprir medidas cautelares

A decisão também levou em consideração a mudança na situação funcional dos acusados: Luciano teve o mandato eletivo cassado e Fabricio foi exonerado do cargo público que ocupava. Segundo o juiz, essas circunstâncias reduzem significativamente a possibilidade de reiteração das condutas investigadas.

Com a revogação da prisão, os dois deverão cumprir medidas cautelares. Eles terão cinco dias após a soltura para informar à Justiça endereço atualizado e ocupação lícita. Também estão proibidos de frequentar o prédio da Câmara de Vereadores de Penha e de manter contato ou se aproximar, em até 200 metros, das duas vítimas e da testemunha de acusação, o vereador Maurício Olívio Brockveld (MDB). Essas duas últimas restrições terão duração de 120 dias.

Agora, o MPSC terá cinco dias para apresentar as alegações finais. Na sequência, a defesa também deverá apresentar seus memoriais. Depois dessa etapa, o processo retornará ao gabinete do juiz para análise e sentença.

Luciano de Jesus, que ocupava o cargo de vereador e presidia a Câmara de Penha à época dos fatos, e Fabricio de Liz, então chefe de gabinete da Presidência, foram presos preventivamente em 1º de abril, durante a Operação Repartição, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Segundo o Ministério Público, a investigação apura a suposta prática dos crimes de peculato e concussão envolvendo agentes políticos e servidores vinculados ao Poder Legislativo de Penha. Entre as suspeitas está a existência de um possível esquema conhecido como “rachadinha”, no qual parte dos valores recebidos por servidores teria sido transferida, por meio de Pix, para contas relacionadas aos investigados.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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