Representantes da Prefeitura de Itajaí estiveram em Brasília (DF), entre quarta-feira (2) e sexta-feira (4), para avançar na construção de um projeto de lei que pretende criar o Polo Municipal da Base Industrial de Defesa e Segurança de Itajaí (PBIDS-Itajaí).
A proposta foi apresentada em reuniões com representantes do Ministério da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). A comitiva também participou do Brazilian Defense Day, realizado na Escola Superior de Defesa.
A missão teve como objetivo qualificar e aperfeiçoar a proposta antes da conclusão do projeto. O texto, que ainda está em desenvolvimento, foi levado à área técnica do Ministério da Defesa para receber contribuições e considerações. Depois dessa etapa, deverá ser submetido à avaliação do prefeito Robison Coelho e, caso aprovado, encaminhado à Câmara de Vereadores.
Também participaram das agendas o CONDEFESA/FIESC e o Sebrae/SC.



A criação do polo pretende estabelecer um marco municipal para organizar uma política de desenvolvimento voltada à Base Industrial de Defesa e Segurança. A iniciativa busca integrar empresas e instituições que atuam em áreas como indústria, tecnologia, logística, academia e inovação.
O projeto é resultado do Protocolo de Intenções firmado entre o Município de Itajaí, a FIESC e o Sebrae/SC durante a SC Expo Defense, em maio de 2026. A partir do acordo, foi criado um Grupo de Trabalho formado pela Procuradoria-Geral do Município, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, CONDEFESA/FIESC e Sebrae/SC.
O grupo passou a reunir os elementos técnicos, jurídicos e estratégicos necessários para estruturar o PBIDS-Itajaí.

POLO TERÁ ATUAÇÃO ALÉM DA INDÚSTRIA NAVAL
A proposta considera a Base Industrial de Defesa e Segurança de forma ampla. Além da indústria naval, o polo deverá abranger setores como engenharia, metalmecânica, eletroeletrônica, automação, desenvolvimento de software, cibersegurança, pesquisa, inovação, manutenção especializada e tecnologias de uso dual.
Itajaí já ocupa uma posição estratégica nesse mercado. O município sedia a construção das quatro Fragatas Classe Tamandaré, no TKMS Estaleiro Brasil Sul, dentro do programa da Marinha do Brasil.
Segundo os dados apresentados pelo município, o programa envolve aproximadamente 1 mil empresas, cerca de 40% de conteúdo local em equipamentos e serviços nacionais e uma estimativa de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.
Santa Catarina também vem ampliando sua participação na cadeia de defesa. Em 2025, 219 empresas catarinenses forneceram produtos e serviços para o setor, movimentando R$ 211,8 milhões, valor 178% superior ao registrado no ano anterior.
O número de empresas catarinenses credenciadas junto ao Ministério da Defesa também aumentou: passou de uma empresa em 2016 para 33 em 2026.
ESTRATÉGIA BUSCA INSERIR EMPRESAS LOCAIS
Com a criação do PBIDS-Itajaí, a Prefeitura pretende ampliar a participação de empresas locais e regionais nessa cadeia produtiva, especialmente pequenas e médias empresas e negócios de base tecnológica.
Entre as frentes previstas estão o desenvolvimento de fornecedores, adequação a requisitos técnicos, obtenção de certificações, estímulo à inovação, qualificação profissional e aproximação das empresas com grandes integradoras e potenciais compradores.
A iniciativa também envolve a Invest Itajaí S.A., o Elume – Centro Regional de Inovação e outras entidades ligadas ao setor.
A expectativa é que o polo contribua para transformar a presença de grandes projetos da indústria de defesa no município em oportunidades para empresas locais, fortalecendo a cadeia de fornecedores, a inovação e a geração de empregos e negócios em Itajaí e na região.




