A paratleta multicampeã, Fernanda Katheline Pereira Acquisti, a Feka, anunciou sua saída oficial da seleção brasileira de paratriathlon. Após conquistar o ouro na primeira etapa do Panamericano, em Sarasota, Flórida (EUA), dificuldades para se manter na competição e questões familiares, acima de tudo, pesaram na decisão de abandonar o time nacional e o sonho de participar do Jogos Paralímpicos do Japão, em 2020.
“Abri mão da vaga por conta da minha família, para cuidar do amor da minha vida”, diz Feka em longa entrevista à reportagem do Jornal do Comércio. Há dois anos, seu marido foi diagnosticado com um câncer e felizmente os tratamentos surtiram efeito positivo. Para apoiar o tratamento, Feka abandonou o esporte por um ano, retornando às atividades em 2016. “Após uma longa conversa com meu marido, tomei a decisão de voltar aos treinos e recuperar minha vaga na seleção”, lembra.
Sua dedicação foi recompensada em fevereiro deste ano ela foi convocada e integrou a seleção durante a etapa do Panamericano de Sarasota, momento em que se assegurou na etapa seguinte, na Austrália. “Para conseguir o passaporte australiano, é preciso preencher um questionário em um inglês muito técnico. Pedi ajudar para muitas pessoas e todas elas tinham outros assuntos para resolver primeiro”, comenta Feka. A nova dificuldade enfrentada lhe fez refletir.
A delicada doença do esposo – que irá requerer constante monitoramento médico -, as dificuldades diárias para ir em busca de patrocínios e a vida regrada e de plena dedicação ao esporte sacramentaram sua decisão. “Até as Paralimpíadas do Japão são três anos. Três anos de entrega ao esporte. Três anos que deixarei de viver com o meu amor maior e um tempo que eu talvez não tenha mais depois”, acrescenta a paratleta.
Habitualmente inquieta e espontânea, Feka categorizou que sua saída da elite não a impedira de continuar no esporte. “Agora quero participar de provas amadoras, ou máster, como eles chama”, brincou. “Tenho um sonho de disputar um meio Ironman e continuarei treinando sozinha para alcançar esse objetivo”, acrescenta. Paralelo à vida saudável do esporte, Feka já deu início a nova jornada: a yoga.
Praticante das tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia há oito anos, ela aceitou o convite para ser professora em algumas turmas em estúdios de Balneário Piçarras e Penha. “Quero dar minha contribuição sobre o que aprendi ao longo dos oito anos de yoga. Não penso em retorno financeiro, longe disso. O ponto crucial é ser, e não ter. Essa é a questão”, define. Ela deixa seu contato telefônico (9 8876.0172) para pessoas interessadas em participar do novo projeto.
Acostumada a vencer os desafios que a vida lhe impôs, ela encara a nova jornada certa de ter tomado a decisão correta. “Até os 27 anos eu caminhava apenas com o auxílio de uma muleta. Não tive infância. Após muito esforço, chegou ao auge do esporte na minha categoria e isso me deixa muito satisfeita, ser o exemplo de superação para muitas pessoas”, categoriza a moradora de Balneário Piçarras. O sonho do Japão não morreu em Feka. “Quem sabe como expectadora dos jogos e torcendo pelos brasileiros”, finalizou.
Foto por: Facebook Atleta





