A Polícia Civil de Balneário Piçarras finalizou na terça-feira, 10, o inquérito sobre o desparecimento do menino Kaik Leonardo Bitinelli (8 anos) e indiciou cinco pessoas pelos crimes de cárcere privado, associação criminosa e subtração de incapaz. O documento de 500 páginas enviado ao Ministério Público do Estado na quarta-feira, 11, aponta as irmãs R.B e J.B como as principais autoras e inclui a participação de J.B.F, A.F e L.P.
No indiciamento policial, R.B e J.B foram enquadradas nos três crimes. Já J.B.F, A.F e L.P foram indiciados por cárcere privado e formação de associação criminosa. O inquérito está agora nas mãos do promotor de justiça, Luiz Felipe de Oliveira Czesnat. Baseado nos documentos da Polícia Civil, o promotor vai iniciar nova rodada de depoimentos e, futuramente, oferecer denúncia à Justiça.
“Não tenho dúvidas de que o crime foi cometido como forma de vingança. Em todos os depoimentos delas havia muita revolta contra a Lícia (Lícia Barcelos, tia das irmãs, e que era a guardiã legal de Kaik), definiu o delegado que coordenou as investigações, Wilson Masson. Ele explicou que há 12 anos Lícia e a irmã, Irene, foram testemunhas de acusação em um processo em quem R.B perdeu a guarda de dois filhos para o ex-marido.
“São os autos (dados da investigação) que dizem isso”, acrescentou Masson, citando que o sumiço de Kaik foi motivado pelo rancor do passado. Na delegacia, com a presença de uma advogada, nenhum dos indiciados pela Polícia se manifestou. “Preferiram o silêncio e só irão se manifestar em juízo. Nem sequer negaram a autoria”, detalhou o delegado. Os indiciados devem responder aos crimes em liberdade.
Segundo a investigação da Polícia Civil, foi J.B quem pegou Kaik na frente da Escola Francisca de Borba, no bairro Itacolomi, no dia 14 agosto, guiando um Ford Fiesta, cor prata. O menino foi então levado para uma residência na Rua Alagoas, no bairro Santo Antônio, em Balneário Piçarras – metros após a sede do Conselho Tutelar Municipal. Lá permaneceu por 32 dias. As descrições de Kaik sobre sua rotina foram determinantes para o avanço dos trabalhos policiais.
“O menino que falou e a gente foi lá (na casa) pra coletar as provas. Ele reconheceu inclusive as fotos da casa”, pontuou Wilson. Além das fotos, Kaik detalhou brincar com um tablet branco e citou um pote de arroz repleto de moedas, elementos encontrados pela Polícia na casa. “Eu perguntei a ele o que fazia na maior parte do tempo. Ele me disse que brincava com o tablet da indiciada (R.B)”, complementou.
Outro fato importante que ajudou os investigadores a elucidarem a investigação foi a grafia da carta deixada com Kaik na noite de 16 de setembro, quando ele foi abandonado em uma rua do bairro Nossa Senhora da Paz. Kaik carregava um bilhete com o escrito de “Xama a Polícia”, aviso que teria sido escrito por uma filha de R.B. “Pedimos para ela (filha da R.B) escrever ‘Chama a Polícia’ e ela escreveu naturalmente como estava no bilhete, com X, ‘Xama'”, frisou Masson. Na carta, as autoras citaram que pegaram Kaik porque ele era maltratado.
Kaik segue morando na Casa de Passagem do município. Segundo o delegado, o menino não teria manifestado interesse em voltar a morar com a tia-avó. O avô paterno pode assumir a guarda do menino.
Foto por: Felipe Bieging





