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quinta-feira 9 de julho de 2026

Polícia Civil deve indiciar irmãs no caso de desaparecimento do menino Kaik

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A Polícia Civil confirmou na quinta-feira, 29, que têm duas suspeitas para o desparecimento do menino Kaik Leonardo Bitinelli (8 anos). As irmãs, R.R.B e J.B, estão sendo apontadas como as autoras. Kaik teria sido mantido em uma residência na Rua Alagoas, no bairro Santo Antônio, em Balneário Piçarras – metros após a sede do Conselho Tutelar Municipal. As descrições de Kaik sobre sua rotina foram determinantes para o avanço dos trabalhos policiais.
R e J já foram ouvidas pela Polícia durante as investigações e negaram participação no caso. “Elas foram ouvidas aqui (delegacia) e disseram que nunca viram o Kaik. Que o Kaik nunca esteve lá (casa)”, revela o delegado que coordena as investigações, Wilson Masson. Elas serão novamente ouvidas pelo delegado na próxima semana, quando devem ser oficialmente indiciadas. “Os indícios coletados atribuem a autoria as duas”, afirma.

O menino teria sido pego sob a alegação de estar sendo maltratado pela tia-avó, Lícia Barcelos (parente das irmãs) e que detém a guarda de Kaik. Lícia sempre negou qualquer maltrato ao menino. Contudo, o delegado também revelou que as irmãs possuíam uma “mágoa” de Lícia em virtude de ela ter sido testemunha contrária em um caso judicial que envolveu diretamente a família de R e J. “Porque foram pegar o menino? Porque ele estava sendo maltratado. Outra coisa, no depoimento delas confere com a carta, na revolta com os maus-tratos. Elas também tinham mágoa com a Lícia, que foi testemunha em um processo”, confirma o delegado.

Masson relatou ainda que Kaik consentiu em ir morar com R. Teria sido J, em um carro prata do ex-namorado, que buscou o menino na porta da Escola Básica Municipal Professora Francisca Borba no dia 14 de agosto. “Ela (J) também esteve outras duas vezes na escola. Uma vez para conversar com o menino e outra pra pegar o boletim”, categorizou o delegado. Na casa onde ficou, Kaik só podia brincar no fundo do terreno, onde não há visão pública.

ELUCIDANDO O CASO

“O menino que falou e a gente foi lá (na casa) pra coletar as provas. Ele reconheceu inclusive as fotos da casa”, pontua Wilson Masson. Além das fotos, Kaik detalhou brincar com um tablet branco e citou um pote de arroz repleto de moedas, elementos encontrados pela Polícia na casa. “Eu perguntei a ele o que fazia na maior parte do tempo. Ele me disse que brincava com o tablet da indiciada (R)”, complementa.

“Ele (Kaik) saiu pela porta dos fundos e os cachorros nem avançaram”, acrescenta Masson, citando ainda que o menino ainda brincou com os cães no momento em que a Polícia investigava a casa.  Na casa – onde moram quatro pessoas, que teriam convivido com Kaik – houve mudança de posicionamento de móveis, em ato que a Polícia acredita ter sido para confundir a memória menino. “Mas ele (Kaik) detalhou tudo”, lembra.

Outro fato importante que ajudou os investigadores a elucidarem a investigação foi a grafia da carta deixada com Kaik na noite de 16 de setembro, quando ele foi abandonado em uma rua do bairro Nossa Senhora da Paz. Kaik carregava um bilhete com o escrito de “Xama a Polícia”, aviso que teria sido escrito por uma filha de R. “Pedimos para ela (filha da R) escrever ‘Chama a Polícia’ e ela escreveu naturalmente como estava no bilhete, com X, ‘Xama'”, frisa Masson, acreditando que a carta tenha sido escrito pela menina. Um exame grafotécnico será feito nos documentos para tentar confirmar as suspeitas.

A suspeita de que Kaik tenha sido vendido por R$ 5 mil está totalmente descartada. O menino segue residindo na Casa de Passagem da Prefeitura.
 

Foto por: Felipe Bieging

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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