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Piçarras
domingo 5 de julho de 2026

Técnicos conseguem equilibrar água marinha no Museu

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“O que era para levar quinze dias demorou três meses”, definiu o professor e curador do Museu Oceanográfico Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Jules Soto. Sua citação faz alusão ao trabalho de equilíbrio da água dos aquários à biologia dos animais que irão compor o Museu que está sendo criado no campus de Balneário Piçarras. “Felizmente conseguimos obter sucesso”, acrescentou. Não há data oficial de abertura, ainda.

Jules salientou que na próxima semana irá para o Rio de Janeiro, de onde vai trazer os animais marinhos vivos que irão compor os tanques, que ele define ainda como um “oceanário de alto nível”. “Depois deste complexo trabalho, posso dizer que Balneário Piçarras possui um oceanário numa estrutura de alto nível”, comemorou. O trabalho de equilíbrio da água começou em janeiro e foi concluído na última semana.

O grande problema na elaboração de água marinha foi a rejeição dos sais minerais – importados dos Estados Unidos – em mistura feita com o liquido local. “Compramos um equipamento para purificar completamente a água e depois aguardar a transformação natural da água em mistura com os sais. Esse foi nosso maior desafio e conseguimos”, enalteceu Jules. Essa mistura remete os animais a aquários com as mesmas características do fundo do mar.

Agora, os trabalhos devem se prolongar por mais dois meses. “Agora pura organização dos objetos. A etapa mais difícil foi vencida”, repete Jules. A temática do local do Museu abrangerá a formação dos oceanos, a evolução dos seres vivos, a história da oceanografia, os recursos vivos e minerais dos oceanos, a preservação do meio ambiente marinho e uma ampla exposição sobre os seres vivos marinhos.

“Conseguimos ainda itens da história do mergulho, datadas da década de 40 e utilizados pelos primeiros mergulhadores da história”, frisou o curador.  Ainda estarão expostas espécies raríssimas que incluem tubarões e raias de profundidade, peixes exóticos abissais, lulas gigantes, espécies de tartarugas marinhas, grandes animais conservados inteiros em tanques de vidro como golfinhos, peixe-lua, raias manta, entre muitos outros. São milhares de itens.

O acervo do Museu Oceanográfico Univali não está restrito aos tubarões, raias e quimeras. Ele reúne coleções de diversos grupos de grande importância científica, destacando a maior coleção de conchas da América Latina, com 88.813 amostras que incluem as duas conchas mais procuradas por colecionadores no mundo.

Entre outros destaques também estão no acervo a maior coleção de mamíferos marinhos do Brasil, com 708 lotes que incluem baleias, golfinhos, focas, lobos e leões marinhos de diversas espécies; a maior coleção da América Latina de tartarugas marinhas, com 644 lotes; a agora segunda maior coleção de elasmobrânquios (tubarões e raias) do mundo, com mais de 12 mil espécimes que incluem exemplares raríssimos e únicos no continente.

Além disso, a reunião de exemplares é a mais numerosa e diversificada entre as não-públicas de todo o planeta, contendo amostras de todas as espécies conhecidas até o momento que ocorrem na costa brasileira e raridades em nível mundial.

O museu ocupa a 2ª posição no ranking mundial, atrás, somente, do Museu Nacional dos Estados Unidos, em Washington e a frente das seculares coleções de Londres, Paris e Nova Iorque.

Foto por: Felipe Bieging

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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