Os alunos do Curso de Pescador Profissional da Escola de Ensino de Jovens e Adultos (EJA) – em parceria com o campus de Itajaí do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) – se lançaram ao mar na manhã de quinta-feira, 27. Como parte dos ensinamentos, na região da Ilha Feia lançaram redes para um arrasto de camarão que rendeu dezessete quilos de pesca.
A pesca ocorreu ao norte da Ilha Feia, entre o mar de Balneário Piçarras e Barra Velha. Foram capturados seis quilos de camarão, oito quilos de pescados diversos e três quilos de siris, além de uma coleta de mariscos efetuada, segundo informam o diretor da EJA, Carlos Rodrigo Martins Dias, e o professor e oceanógrafo do IFSC, Benjamim Teixeira.
De acordo com o oceanógrafo, o grupo saiu em dois barcos – um cedido pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e outro do próprio IFSC – usados durante a aula prática. O objetivo foi não apenas difundir o aprendizado da captura do camarão, mas capacitar os futuros pescadores, sobretudo, para a captura de peixes de espécies menores, que em geral, são descartados no momento da pesca do camarão.
Uma segunda etapa ocorreu à tarde, na cozinha da EJA de Penha. “A finalização foi na cozinha pelo seguinte: atualmente, a cada quilo de camarão capturado, morrem outros 9kg de organismos menores, que são descartados. A gente fez o alerta sobre como aproveitar também estas espécies”, observa Teixeira.
Peixes miúdos como pequenas pescadas, canguás, Maria Luiza e até mesmo lulas e siris frequentemente são descartados e mortos – na visão das empresas de pesca, não vale gastar recursos com estocagem e resfriamento destas espécies.
“ALTERNATIVA
DE RENDA”
Na cozinha da unidade de ensino, um moedor industrial beneficiou os peixes, produzindo hambúrgueres de pescado, quibes, salsichas e coxinhas. O marisco e os siris foram cozidos. Além dos futuros pescadores, os demais alunos da EJA participaram de uma degustação. “Destes peixes que seriam jogados no mar, se pode retirar nova alternativa de renda”, comentou a aluna e educadora ambiental Cleo Veríssimo, de Barra Velha, que participa das aulas do IFSC e EJA.
Ainda na avaliação da aluna, a aula prática serviu para que os integrantes do curso pudessem “ver como é dura a realidade dos pescadores, principalmente os artesanais”. De acordo com o diretor Rodrigo, seis pescadores da atual turma do curso já atuam no mar, mas para os demais, o aprendizado é totalmente novo.
Ao final das aulas, previsto para o segundo semestre deste ano, os alunos e trabalhadores terão a carteira nacional de pesca, emitida pela Marinha. O curso em Penha também é autorizado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).





