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terça-feira 7 de julho de 2026

Demarcações prometem alavancar produção

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Santa Catarina será o primeiro estado do país a ter seus parques marinhos ordenados e regularizados. A instalação das boias e cabos de aço para sinalizar as fazendas marinhas começou pelo município de Biguaçu. Em Penha, a previsão é de que os trabalhos iniciem em outubro, fazendo com que a produção local volte a produção anual de três mil toneladas.

 
“É um trabalho de organização dos parques marinhos e que vai resultar em um aproveitamento melhor dos espaços marinhos. Com isso, esperamos voltar a produzir 3 mil toneladas de mariscos ao ano”, comenta o Gilberto Manzoni, que é professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Atualmente Penha produz 1.132 mil tonelada ao ano em 63 hectares  distribuídos em onze áreas. 
 
Ao todo serão 812 áreas demarcadas no litoral catarinense, entre Palhoça e São Francisco do Sul, um investimento que ultrapassa R$ 3 milhões numa parceria entre a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e Governo Federal. Serão necessárias mais de seis mil boias e estacas para demarcar todas as áreas de cultivo nos 12 municípios beneficiados. 
 
As boias fazem o papel do muro que separa uma propriedade da outra, cada área foi concedida, após licitação, pelo Ministério da Pesca e Aqüicultura por 20 anos. Além da demarcação com boias na cor laranja, a produção de mariscos de Penha será alocada mais distante da Costa, o que para Gilberto é outra vantagem para o produto local. “Não teremos a maior produção do Estado, mas certamente nosso produto terá uma qualidade acima dos demais, por estaremos em um mar mais aberto e puro”, salienta. A demarcação resultará ainda em melhor navegação por entre a produção, além do melhor visual estético.
 
Com as fazendas marinhas regularizadas, os maricultores também terão mais facilidade em acessar políticas públicas e financiamentos bancários. O secretário da Agricultura, Moacir Sopelsa, destaca que esse é um momento histórico para o estado. “Santa Catarina será o único estado do país com todas as fazendas marinhas regularizadas, isso dá mais tranqüilidade aos maricultores, que agora terão seu pedaço de mar para produzir”.
 
A expectativa é de que a demarcação seja concluída em 180 dias.
 
 
Produção de Penha caiu 61%
A produção de marisco de Penha caiu 61% entre os anos de 2012 e 2014. O número foi confirmado na Síntese Informativa da Maricultura 2014, divulgada em junho, pelo Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Cedap). Com a queda, a cidade passou de segunda potência estadual para o quarto maior produtor catarinense de mexilhões. Especialistas afirmam que queda ocorreu em virtude do novo processo de demarcação dos parques aquícolas e que crescimento é esperado para os próximos anos.
 
“Me surpreendeu, mas é um resultado normal. Os maricultores deixaram de investir em suas áreas porque todos serão remanejados para mais longe da costa. Todos os parques de Penha serão remanejados”, explicou Gilberto Manzoni. Em 2014, Penha produziu 1.132 tonelada, contra 1.750 tonelada em 2013 e 2.930 toneladas em 2012, quando a cidade ficava atrás somente de Palhoça, que produzia 13.753 toneladas. Entre 2013 e 2014, a queda foi de 35%. Em 2014, Palhoça se manteve na liderança, com 12.580 toneladas. Com a quarta maior produção, Penha foi ultrapassada por Bombinhas (1.394 tonelada) e Governado Celso Ramos (1.300 tonelada)
 

Foto por: Felipe Bieging

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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