Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 29, o Banco Central confirmou a criação de uma cédula de R$ 200, após aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN). A nova cédula vai começar a circular no final do mês de agosto, lançada gradualmente no mercado até atingir a casa de 450 milhões de unidade – o equivalente a R$ 90 bilhões. O Banco Central garantiu não haver desvalorização do Real.
A diretora de administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, comandou a coletiva de lançamento – transmitida pelo YouTube. Ela frisou que o lançamento da nova nota é uma forma de a instituição agir preventivamente para a possibilidade de aumento da demanda da população por papel moeda, uma vez que durante a pandemia de Covid-19 houve a criação de grandes reservas domésticas de dinheiro.
“Estamos vivendo neste momento um período de entesouramento, efeito derivado da pandemia. O Banco Central nesse momento não consegue precisar por quanto tempo os efeitos do entesouramento devem perdurar”, disse a diretora. Segundo o BC, entre março e julho deste ano, um dos efeitos econômicos da pandemia foi o aumento de R$ 61 bilhões no entesouramento de moeda, ou seja, notas que deixaram de circular porque a população deixou o dinheiro em casa.
De acordo com a diretora, não há falta de numerário no mercado, mas o BC entende que o momento é oportuno para o lançamento da nova cédula diante da possibilidade de aumento na demanda. Ao longo da coletiva, ela também foi questionada sobre o lançamento da cédula estar ligado a questões de desvalorização do Real, lançado em 1994.
“Não há relação entre a colocação dessa nova cédula no mercado e a desvalorização do Real. Nós estamos num país que se vale do sistema de metas para o combate à inflação. Nesse momento a nossa inflação é baixa, estável, as nossas expectativas estão ancoradas. Então, o que a gente tem é tão somente o Banco Central agindo preventivamente pois a população pode vir a demandar por mais numerário”, respondeu Carolina.
A cédula terá como personagem o lobo-guará, espécie que ficou em terceiro lugar em uma pesquisa realizada pelo BC sobre quais animais em extinção deveriam ser representadas em novas cédulas. Ela ainda está em fase de testes de impressão e por isso não teve seu desenho oficial revelado durante a coletiva de imprensa.
SEGURANÇA CONTRA FALSIFICAÇÃO REFORÇADA
O Jornal do Comércio também participou da coletiva de imprensa, de cunho nacional. A diretora do Banco Central respondeu ao questionamento da reportagem sobre questões adicionais de segurança implementados à cédula, uma vez que ela será a de maior valor em circulação no mercado. “Todas as cédulas da segunda família do Real são robustas, possuem elementos de segurança capazes de protege-las das tentativas de falsificação. Quanto maior o valor, maior é a preocupação do Banco Central. Então, sim, essa cédula será robusta, ela terá elementos de segurança capazes de protege-la dessas tentativas. A gente sempre pensa em segurança em três níveis: a gente pensa no cidadão, a gente pensa nas máquinas da rede bancária e a gente pensa na perícia”, assegurou.





