Proibidos pela Secretaria Estadual da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de retirar e comercializar mariscos desde o dia 19 de agosto, maricultores de Penha vem acumulando prejuízos já estimados na casa dos R$ 50 mil. A interdição é motivada pela presença de toxina diarreica acima dos limites permitidos, encontrada nas localidades de Praia Alegre e Armação do Itapocorói.
“O prejuízo é enorme. A cada dia que se passa, tranquilamente, dá pra colocar por baixo mil reais. Tranquilamente, um prejuízo de cinquenta mil reais”, estima o responsável técnico da categoria, o professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Gilberto Manzoni. Regiões de Balneário Camboriú e Porto Belo também seguem interditadas pela mesma situação, que desde o dia 6 de agosto, vem afetando a cadeira produtiva do estado.
Atualmente, em Penha são cerca de 47 maricultores ativos, dentre 57 áreas licitadas para produção. Os prejuízos podem ser mais volumosos por conta do feriadão da independência, reforça Adilson Sebastião Domeciano – que há 18 anos trabalha na área. “É difícil calcular quanto dinheiro já deixamos de ganhar. Mas, teve um feriadão e, somente a nossa banca, nós deixamos de vender cerca de 3,5 toneladas”. O preço médio do quilo gira em torno de R$ 5.
Para Gilberto, “o monitoramento é importante e que diferencia Santa Catarina de qualquer outro estado do Brasil a nível de qualificação do produto que é cultivado. O monitoramento que é feito pelo Ministério da Agricultura é fundamental para certificar o produto que chega até o consumidor”.
Contudo, a categoria questiona a demora nas análises e também a metodologia utilizada – apesar de seguir normativas internacionais. “O monitoramento ninguém discute. O que a gente vem discutindo é a demora no resultado das amostras. Entre a coleta na área de cultivo e a liberação dos resultados são praticamente 72h”, questiona o professor. “É uma normativa internacional, mas, vale uma avaliação. Para interditar basta um resultado positivo. Para liberar, são necessários dois negativos”, complementa.
Desde o dia 6 de agosto, algumas áreas de cultivos de moluscos bivalves vêm sendo interditadas devido à presença de ficotoxina Ácido Okadaico – também conhecida como toxina diarreica – acima dos limites permitidos. Quando consumida, essa substância pode ocasionar náuseas, dores abdominais, vômitos e diarreia.
Foto por: Felipe Franco





