25.4 C
Piçarras
domingo 25 de fevereiro de 2024


Pesquisadora destaca importância da liberação do cultivo de macroalga em SC

Ouça a Matéria

A pesquisadora e especialista em Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Leila Hayashi, foi à tribuna da Assembleia Legislativa do Estado, dia 27, para ressaltar a importância da liberação do cultivo no litoral catarinense da macroalga Kappaphycus alvarezzi. Ela destacou as possibilidades de ganhos financeiros reais e também os benefícios ambientais – inclusive para as fazendas marinhas de marisco.

“Essa atividade vai poder beneficiar diretamente os 500 produtores atualmente em operação, trazendo diversificação para a produção aquícola e aumentando em até 40% os lucros das fazendas marinhas”. Ela observou que o cultivo comercial da espécie em território nacional já vem sendo buscado desde 2008, em São Paulo e Rio de Janeiro, mas que a atividade não se desenvolveu pela falta de tradição destes estados na área da aquicultura, algo que pode favorecer Santa Catarina.

Leila enalteceu que a produção da macroalga, utilizada como fonte de insumos para a indústria alimentar e de cosméticos, pode trazer um grande incremento a economia catarinense – tendo em vista que os maiores fornecedores mundiais, a Indonésia, Filipinas e Tanzânia, vêm enfrentando uma série de problemas decorrentes das mudanças climáticas e não estão conseguindo suprir a demanda mundial.

No viés ambientais, o cultivo da Kappaphycus alvarezzi também deve otimizar a produção de outros produtos marinhos, como o marisco, devido a característica da Kappaphycus alvarezzi em captar os nutrientes disponíveis na água. Dessa forma, há a diminuição da possibilidade de desenvolvimento de outras algas, como a causadora da chamada maré vermelha, que inviabiliza a comercialização dos moluscos. “Então, o cultivo da macroalga, além de diversificar e trazer uma nova renda para os produtores, vai melhorar muito a qualidade da água e dos cultivos comerciais que já existem no estado.”

Ao final, a pesquisadora destacou que a liberação do cultivo da espécie é resultado de um trabalho conjunto realizado ao longo dos últimos anos por profissionais ligados a instituições acadêmicas e integrantes de órgãos públicos do estado. Ela citou especialmente o deputado Jair Miotto (PSC), que em 2019 criou a Comissão Mista de Economia e Pesca para tratar do tema. Instrução Normativa nº 1/2020, emitida pelo Ministério do Meio Ambiente no dia 21 de janeiro, é que regulamenta a liberação.

PENHA PODE SE BENEFICIAR

Com a recente liberação para o cultivo comercial da macroalga Kappaphycus alvarezii, no Litoral de Santa Catarina, os maricultores de Penha ganham uma nova opção para incremento das receitas mensais. “Nós já fizemos alguns experimentos dessa alga, junto com a Epagri, aqui na região. Ela se desenvolve muito bem, então, tem a possibilidade de ser mais uma espécie a ser cultivada na região”, afirmou o professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e ligado diretamente às causas da maricultura, Gilberto Manzoni. Apesar da autorização, ele adiantou que ainda não há um interesse formal dos maricultores no cultivo.

Manzoni citou ainda, que por conta da grande quantidade de matéria orgânica rejeitada no mar de Penha, a produção local se favorece. “As macroalgas têm a grande vantagem que elas também são filtros biológicos naturais. Elas pegam a carga de matéria orgânica – nutrientes que podem vir de efluentes domésticos – e retiram esses nutrientes da água. Com o sol, fazem o processo fotossintético e crescem. Então, o custo de produção é baixo”.

Apesar do otimismo, o professor também faz ponderações. “É mais uma espécie com potencial de ser produzida. Mas, precisa analisar o outro lado da cadeia. Precisa ter o comprador para esse produto. É importante armar o outro lado da cadeia produtiva com empresas para absorver esse produto […] A macroalga tem um inconveniente: ela precisa ser vendida seca. Então, o produtor consegue produzir no mar, mas também terá que ter uma área para secagem em terra”, finalizou.

 

Foto por: Eduardo G. de Oliveira

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
Desde 1989 informando a comunidade. Edição impressa semanal sempre aos sábados.

Confira também
as seguintes matérias recomendads para você