20 C
Piçarras
quarta-feira 5 de agosto de 2026

Luiz Alves coloca Santa Catarina entre os principais polos da cachaça no Brasil

Ouça a Matéria

A tradição de Luiz Alves na produção de cachaça segue ganhando reconhecimento nacional. O município aparece entre as cidades brasileiras com maior número de estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), reforçando o protagonismo de Santa Catarina em um setor que continua em expansão.

De acordo com o Anuário da Cachaça 2026 (ano de referência 2025), Luiz Alves está na 7ª posição em relação ao número de cachaças registradas: são 89. O município também reúne 12 estabelecimentos registrados, ocupando a 7ª posição entre os municípios brasileiros com maior número de produtores formalizados.

“Esse protagonismo é resultado da resiliência dos produtores, que nunca abriram mão da excelência do produto”

“Luiz Alves consolidou sua posição como referência na produção de cachaça em Santa Catarina graças à persistência de famílias produtoras que sempre priorizaram a qualidade. Nos últimos anos, houve crescimento no número de estabelecimentos, no volume produzido e, principalmente, na qualidade da bebida, que vem sendo reconhecida em concursos e pelo próprio mercado. Esse protagonismo é resultado da resiliência dos produtores, que nunca abriram mão da excelência do produto”, enaltece o presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Luiz Alves (APCALA), Orécio Rech.

Outro indicador que evidencia a relevância de Luiz Alves é a densidade de produtores. O município figura entre as 22 cidades brasileiras com maior concentração de estabelecimentos em relação ao número de habitantes, com um estabelecimento para cada 1.011 moradores, ocupando a 13ª posição no ranking nacional – reforçando o título de Capital Catarinense da Cachaça.

“Apesar do momento desafiador para o setor de bebidas, a perspectiva para os produtores de Luiz Alves é positiva, porque trabalhamos com cachaças de maior qualidade e valor agregado, um segmento menos impactado pelas oscilações do mercado. O principal desafio hoje é a elevada carga tributária, que supera 80% e dificulta a competitividade. Por outro lado, a exportação desponta como uma grande oportunidade, e muitos produtores já estão se adequando às exigências internacionais para levar a cachaça de Luiz Alves ao mercado global”, acrescenta Orécio.

“A associação vem investindo na preparação dos produtores para o mercado internacional”

O município agora busca ampliar sua atuação no Mercosul, exportando o produto que já conta inclusive com o selo de Indicação Geográfica: Cachaça de Luiz Alves. A questão se reforça pelo fato de que o município atua fortemente no modelo cachaça de alambique – com viés mais artesanal. “A associação vem investindo na preparação dos produtores para o mercado internacional. Atualmente, cinco empresas participam de um treinamento voltado à exportação, aproveitando o reconhecimento da Indicação Geográfica por Denominação de Origem e as oportunidades que podem surgir com o acordo entre Mercosul e União Europeia. Além disso, a exportação é mais atrativa do ponto de vista tributário, o que tem incentivado os produtores a se adequarem às exigências internacionais e buscarem novos mercados”, finaliza o presidente de APCALA.

Além de ser reconhecida como a Capital Catarinense da Cachaça, Luiz Alves transformou a tradição da produção artesanal em um atrativo turístico. Desde 2018, o município conta com a Rota da Cachaça, roteiro que reúne onze alambiques distribuídos por diferentes comunidades rurais, permitindo aos visitantes conhecer o processo de fabricação da bebida, participar de degustações e adquirir produtos diretamente dos produtores. A iniciativa, desenvolvida em parceria entre a Prefeitura e a Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Luiz Alves (APCALA), também valoriza a história, a cultura e as paisagens do município, fortalecendo o turismo de experiência na região.

SC CRESCE
Santa Catarina contabiliza 97 estabelecimentos registrados, consolidando-se como o quarto estado com maior número de produtores formalizados do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Em comparação com o 2024, o número é 33% maior.

O mestre alambiqueiro, David Romani, faz parte da crescente. Junto de Cleverson Petters, fundou o Alambique Casa Petro, em Balneário Piçarras. Para ele, “o mercado da cachaça está em franca evolução, passando de uma bebida colonial marginalizada, consumida por camadas populares para um destilado valorizado, nobre e de prestígio global, o crescimento de produtores formais no Brasil, sobretudo os artesanais, vem para somar e acelerar este processo, as associações de produtores já atuam de forma unida para elevar sua grandeza, no final rodos se beneficiam com esse crescimento, quem ganha é o destilado nacional”.

“O mercado da cachaça está em franca evolução, passando de uma bebida colonial marginalizada, consumida por camadas populares para um destilado valorizado”

Os empreendedores piçarrenses acrescentam ainda que “os principais desafios para colocar um alambique em funcionamento envolvem a burocracia para a legalização e o registro no Ministério da Agricultura, normas criteriosas para as instalações e de controle sanitário, ao mesmo tempo que as exigências são rigorosas, garante a qualidade e a segurança do produto”.

Além da posição de destaque no ranking nacional, o estado integra a região que mais cresceu no país em 2025. A Região Sul registrou um aumento de 51,4% no número de estabelecimentos elaboradores de cachaça em relação ao ano anterior, alcançando 277 unidades e ultrapassando o Nordeste para se tornar a segunda maior região produtora do Brasil em número de estabelecimentos registrados.

Em todo o país, o setor alcançou um marco histórico em 2025, com 1.538 estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados, crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior — o maior avanço desde o início da série histórica do anuário. resultado faz parte do Anuário da Cachaça 2026 (ano de referência: 2025), levantamento oficial de dados do setor, desenvolvido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Instituto Brasileira da Cachaça (IBRAC), entidade representativa do setor.

“Os dados demonstram a expansão e a resiliência de uma cadeia produtiva presente em todas as regiões do Brasil e formada majoritariamente por pequenos e médios produtores. Ao mesmo tempo, evidenciam que ainda estamos distantes do verdadeiro potencial da Cachaça, especialmente no mercado internacional. Apesar dos avanços registrados, a exportação de Cachaça, por exemplo, continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados. Há ainda muito por fazer para superar os desafios de sua inserção internacional”, destaca o presidente do Instituto Brasileira da Cachaça (IBRAC Vicente Bastos.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Confira também
as seguintes matérias recomendads para você