A juíza de Direito da Comarca de Balneário Piçarras, Regina Aparecida Soares Ferreira, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado (MP/SC) contra Devanir Loss, réu confesso de ter assassinado e enterrado o corpo de sua companheira Flávia Sousa França (25 anos), em abril do ano passado. Ele vai a júri popular sob a acusação de cometer crime qualificado por motivo fútil, meio cruel e ocultação de cadáver. Responderá ainda por corrupção de menor de idade. Sua advogada designada, Rafaelle Crecchi desistiu do caso.
Em júri que ainda não tem data para acontecer, Devanir pode ser condenado até 37 anos de prisão, somando todas suas acusações. Os enquadramentos contra Devanir seguiram as sugestões do inquérito policial produzido pelo delegado Wilson Masson e que municiaram o Ministério Público a oferecer a denúncia. Devanir ainda teve o pedido de liberdade provisória negado e não poderá recorrer em liberdade.
“No local, dando início à execução de seu intento, o denunciado estacionou o veículo para, em seguida, desferir diversos socos em Flávia. Ato contínuo, uma vez que a vítima não desfalecera, pediu para que a menor Fernanda segurasse sua tia pelos cabelos enquanto, ainda no acento do passageiro, a vítima era agredida com um extintor de incêndio pelo denunciado”, cita a denúncia do MP, em alusão ao crime cometido no dia 5 de abril de 2014, na zona rural de Balneário Piçarras. O ato foi cometido juntamente com a sobrinha da vítima, de 15 anos.
“Em seguida, Devanir continuou trafegando com o veículo até uma rua secundária, quando em determinado momento, vendo que a vítima não desistia de seu intento de fuga, o denunciado apoderou-se de uma faca e passou a desferir diversos golpes contra sua companheira, entrando em luta corporal”, acrescenta a denúncia do MP. No documento, há o relato de que Devanir e a menor arrastaram Flávia para um matagal, quando o acusado desferiu dois golpes de machado, decretando a morte.
De acordo com o levantamento da Polícia Civil e do MP, Devanir foi quem enterrou o corpo no bairro Lagoa, zona rural da cidade, no dia seguinte ao crime. O corpo só foi localizado em junho, quando o acusado foi preso no Paraná e trazido para indicar a localização. “Em seguida, após colocar o corpo da vítima dentro da cova, objetivando camuflar o odor que viria a emanar, ateou álcool sobre o cadáver para, enfim, cobri-lo com terra, folhas e galhos”, encerra o MP.
Os peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmaram que Flávia morreu em virtude de um traumatismo craniano e choque hemorrágico – em virtude de múltiplas perfurações na região do abdômen. O documento do IGP confirma a tentativa de decapitação. Por fim, o documento do IGP trás ainda o apontamento de que Flávia teria lutado para salvar a vida: havia fraturas nos ossos dos dois punhos. “Provavelmente quando ela foi arrastada até o porta-malas do carro e teria tentando se defender”, acredita Masson, delegado que coordenou as investigações.
O motivo do crime teria sido um envolvimento afetivo entre Devanir e a adolescente. Ambos teriam combinado o crime para poderem ficar juntos. Devanir desmentiu a história e afirmou que o crime teria sido acidental, após uma discussão.
Devanir reforçou ao Jornal do Comércio que foi um acidente. “O canivete estava na mão dela. Tava no porta-luvas o canivete. No que o canivete entrou, ela gritou. Nisso eu soltei o cinto e ela se levantou. Então eu soltei o pé no peito dela e ela caiu naquela estradinha de terra”, narrou a cena.
Foto por: Felipe Bieging





