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Piçarras
quarta-feira 8 de julho de 2026

Kaik pode ter sido vendido

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“Não conheço a pessoa que me entregou o menino. Estou confiando na Justiça e no delegado Wilson Masson”, diz o trecho inicial da carta, possivelmente, assinada pela pessoa que levou Kaik Leonardo Bitinelli (8 anos). O menino, que pode ter sido vendido pelos familiares, foi devolvido na noite de quarta-feira, 16, por volta das 20h, após um mês de seu desparecimento de frente da Escola Professora Francisca de Borba, em Balneário Piçarras.

“Ele foi deixado na rua de sua madrinha (bairro Nossa Senhora da Paz), coincidentemente. Ele (Kaik) foi até a madrinha, que ligou para o Conselho Tutelar e então nos acionou”, detalhou o delegado. A carta estava junto de Kaik. Escrita de punho – com traços femininos e de boa ortografia – a mensagem explica os motivos do sequestro. Uma das linhas de investigação da Polícia é de que o menino tenha sido vendido, informação que também foi apurada pelo Jornal do Comércio. “Temos suspeitas e informações neste sentido”, limitou-se a dizer o delegado.

Após ouvir o menino, os investigadores da Polícia Civil presumem que o crime tenha sido cometido por mais de uma pessoa. O delegado, contudo, não informou em qual cidade o menino ficou ou qual a ligação das pessoas com a família de Kaik. “Ele não embarcaria no carro se não conhecesse a pessoa. Sem dúvidas que é ligada à família”, resumiu Masson. Os suspeitos poderão ser acusados de cárcere privado, sequestro e subtração de menor. “Temos indícios de quem são os suspeitos”, acrescentou Masson.

Desaparecido desde o dia 14 de agosto, Masson frisou que Kaik estava “muito bem cuidado e alegre”. “Por diversas vezes me pediu para não prender as pessoas que o levaram. Ele estava feliz”, acrescentou. Atualmente o menino está abrigado na Casa de Passagem de Balneário Piçarras e, pelos próximos dias, não terá contato com imprensa, familiares ou escola. Na próxima semana ele deverá ser ouvido pelo Ministério Público. O inquérito policial devem ser concluído em quinze dias.

Ao longo de toda a investigação, cerca de 100 pessoas foram ouvidas. Kaik foi procurado em cidades como Itajaí, Navegantes, Joinville, Taió, Corupá, Botuverá e Guabiruba. “Quero tecer um agradecimento a minha equipe e também as investigadoras da Delegacia de Pessoas Desaparecidas (Márcia e Cláudia), que fizeram um trabalho espetacular neste caso”, finalizou Masson.
 

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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