A juíza da Comarca de Balneário Piçarras, Regina Aparecida Soares Ferreira, negou o terceiro pedido para revogação da prisão preventiva de Maximino Vicenci (43 anos). Em seu despacho, publicado no último dia 19, a magistrada apontou que mantê-lo preso será garantir a “ordem pública”. O ex-padre e cabeleireiro está preso no Complexo Penitenciário de Canhanduba, em Itajaí, desde o dia 18 de abril.
“A necessidade da garantia da ordem pública persistem, haja vista que os indícios apontam que o acusado praticou o crime de homicídio contra sua esposa e registrou falso boletim de ocorrência, buscando sua impunidade. Ademais, a revogação da preventiva causaria descrédito a justiça e fomentaria a praticadas condutas ilícitas, até porque, seria bastante cômodo atentar contra a vida de outrem e livrar-se solto quando findada a instrução processual, como dito”, assinou a juíza.
A justiça já aceitou a denúncia oferecida pelo MP/SC Maximino. Ele será julgado pelos crimes de homicídio – com as qualificadoras de motivo fútil e feminicídio – e também por ocultação de cadáver. Ele é acusado de matar a própria esposa, Terezinha Moraes Soave (62 anos), no dia 28 de março.
O CRIME
Maximino disse ao delegado Wilson Masson que asfixiou sua esposa após uma briga causada pela leitura de livros que iam ao desencontro de sua filosofia religiosa. Ele tentou desovar o corpo no mirante da Serra da Dona Francisca.
“Tudo ocorreu porque ela estava lendo livros que não condiziam com a religião cristã. Ele dizia umbanda. Ele é ex-padre, foi dez anos padre em Porto União, segundo ele”, detalhou Masson ao Jornal do Comércio. “Ela estava lendo um livro e ele foi tentar tirar dela, e ela avançou nele, na versão dele. E ela avançou nele, e ele estava cortando temperos para a comida e pegou tábua e deu na cabeça, por trás. Ela usava uma tiara de cabelo, que acabou furando a cabeça dela. Sangrou muito e ela caiu”, completou.
“Ela caiu, levantou e veio pra cima dele com fúria, mordendo. Foi onde ele pegou ela pelo rosto, pela garganta, e a sufocou”, incrementou Masson. Segundo o delegado que comandou as investigações, haviam sinais claros de estrangulamento e que levaram a crer que a versão apresentada por Maximino é verídica. “Ele registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento, mas suas versões não se sustentavam. No fim, salientamos que seria melhor para ele confessar o crime e se apresentar espontaneamente”, acrescentou.
Na mesma noite do crime, o réu confesso limpou a cena do crime e tentou não deixar vestígios do crime e esperou até o dia seguinte para desovar o corpo de Terezinha. “Tirou toda roupa dela, enrolou ela em um cobertor e guardou toda a roupa num saco. Depois colocou ela no porta-malas do carro. Para não levantar suspeitas, só saiu no dia seguinte, por volta das 10h, com a intenção de dispensar o corpo”, citou Masson. O destino final foi o ponto turístico no alto da Serra.
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