O mês de novembro será marcado por dois júris populares no Fórum da Comarca de Balneário Piçarras. Mariléia Pereira e Jaciel Wilck sentam no banco dos réus, onde serão julgados pela acusação de terem cometido crimes de assassinato.
Mariléia vai a júri no dia 3. Ela está sendo acusada de matar seu marido, Anderson Vicente Zancanela e responderá por homicídio qualificado por motivo fútil (diante da vontade da vítima em deixar de praticar sexo com outros casais) e fraude processual (na tentativa de esconder as provas do crime). Se condenada, pode pegar até 32 anos de prisão.
Jaciel, que confessou à Polícia Civil ter assassinado a ex-mulher, Neiva Aparecida de Oliveira, senta no banco dos réus no dia 8, às 9h. Na ocasião, ele vai enfrentar o júri popular e a acusação de crime qualificado por motivo fútil (diante das desavenças entre o casal, e impedindo a defesa da vítima). Se for considerado culpado, poderá ser sentenciado até 30 anos de prisão.
O promotor público da 2ª Vara, Luiz Felipe Czesnat, é quem vai defender as teses acusatórias. Os advogados de defesa de cada um dos acusados também fundamentam suas teorias em busca da absolvição. Ao final disso, os sete jurados respondem a quesitos formulados pela juíza, Regina Aparecida Soares Ferreira. As respostam sacramentam a decisão de culpa ou inocência.
MARILÉIA
“Ela (Mariléia) premeditou, planejou e executou o crime”, disse o delegado, Wilson Masson, ao Jornal do Comércio. Presa no Presídio Feminino de Itajaí, Mariléia disse ao longo das investigações que se “sentia sufocada dentro da relação” e que a única forma de se “livrar” do marido seria o matando. O crime ocorreu após uma discussão, segundo Masson, na noite de 6 de agosto de 2015, a golpes de machado. Anderson foi assassinado em uma região afastada de Santa Lídia, em Penha. O corpo foi achado na noite do dia 8, um dia após Mariléia ter registrado o desparecimento do marido na delegacia.
A defesa da ré garante que ela não premeditou o crime, mas cometeu o ato como forma de escapar dos abusos e taras sexuais de Anderson. Afirmou ainda que ela precisava de tratamento psicológico por conta de diversas tentativas de suicídio e que o marido havia lhe negado o tratamento. Desta forma, indiretamente, ele teria assumido os riscos.
A juíza Regina Aparecida Soares Ferreira negou três pedidos pela liberdade provisória da ré. “A necessidade da garantia da ordem pública, haja vista que os indícios apontam que a acusada praticou o crime de homicídio contra seu marido e registrou falso boletim de ocorrência, buscando sua impunidade. Ademais, a revogação da preventiva causaria descrédito a justiça e fomentaria a prática das condutas ilícitas, até porque, seria bastante cômodo atentar contra a vida de outrem, ser pronunciado, e livrar-se solto quando findada a instrução processual, como dito”, sacramentou.
JACIEL
“Era muito orgulho, muito ódio. Ele disse que não passou o ódio pela traição. Ele tinha essa arma e resolveu matar”, definiu o delegado de Balneário Piçarras, Wilson Masson, que investigou o crime cometido no dia 24 de novembro de 2015. As investigações da Polícia Civil levam a crer que o crime foi cometido motivado por uma suposta infidelidade matrimonial de Neiva, em fevereiro, quando o casal terminou o relacionamento.
Jaciel foi preso na mesma noite, em um bar na cidade de Navegantes, e foi encaminhado para o Complexo Penitenciário de Canhanduba, em Itajaí. “Ele disse: eu disse pra tu (Neiva) não me incomodar, pra me deixar em paz. Está no depoimento dele. Neste momento ele já tinha a arma na cinta. Quando ela viu que ele sacou a arma, ela correu. Mas foi coisa de segundos”, completou o delegado, citando ainda que quatro disparos foram feitos pelas costas e um deles atingiu a cabeça de Neiva. A juíza também negou um pedido de Jaciel para responder ao crime em liberdade.





