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domingo 26 de maio de 2024


Dona Ana e Seu Domingos: Rei e Rainha da Festa de Nossa Senhora do Rosário de Balneário Piçarras

“Não tenho palavras para expressar o sentimento. A tradição está voltando para minha família e é indescritível, eu não sei nem explicar”

Foto, Cleiton Reinert / Giro Urbano
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Domingos Ignácio e Ana Lúcia Ramos Ignácio têm uma grata missão pelos próximos 365 dias: organizar a principal festa religiosa afro-brasileira em Balneário Piçarras. Eles foram indicados para serem Rei e Rainha da Festa de Nossa Senhora do Rosário do próximo ano.  

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“Eu vivo isso há 60 anos e poder organizar a Festa é poder desenvolver um trabalho de agrupamento dos povos”

DOMINGOS IGNÁCIO
FOTO, CLEITON REINERT / GIRO URBANO

“Não tenho palavras para expressar o sentimento. A tradição está voltando para minha família e é indescritível, eu não sei nem explicar. Eu vivo isso há 60 anos e poder organizar a Festa é poder desenvolver um trabalho de agrupamento dos povos”, disse Seu Domingos.

O novo Rei da Festa, que será coroado em outubro de 2024, adianta que buscará desmistificar temáticas erroneamente ligadas ao festejo e, em especialmente, sobre racismo. Mas, Seu Domingos crava: “é uma festa de todos os povos”.

“Não é uma festa só dos negros. É uma festa dos brancos, também. Eu quero trabalhar essa questão das pessoas, para se agrupar mais, para mostrar para a sociedade que não é uma festa como eles pensam. Eu vou te dizer: tem lugar que a gente ainda sofre! O racismo é algo muito presente na nossa sociedade”, afirma Seu Domingos, também vereador em Balneário Piçarras.

Rei e Rainha de 2023 parabenizam o novo casal imperial – Foto, Cleiton Reinert / Giro Urbano

Até outubro do próximo ano, Seu Domingos e Dona Ana, irão peregrinar por residências de devotos no auge de seus 71 e 67 anos de idade. Em julho, Rei e Rainha serão ‘salvos’ – dando maior intensidade à vertente religiosa da Festa – celebrada na Paróquia de Santo Antônio de Pádua.

Numa tradição fomentada localmente por seu pai, Antônio João Inácio – falecido em 1998 – a Festa passou por um pequeno período de paralisação e foi reativada por Ivo Carlos Rodrigues, que receberá uma moção de aplausos do parlamento local por sua dedicação.

“É um festejo de origem Africana, que acabou se moldando ao catolicismo na devoção a Nossa Senhora do Rosário, mas conservando seus traços culturais originais, principalmente na música e na dança ao ritmo dos tambores”, finaliza Seu Domingos.

Essa questão está ligada ao período em que os negros foram arrancados da África e trazidos ao Brasil na condição de escravos. Suas práticas religiosas eram proibidas pelos senhores brancos, situação que os levou à prática em segredo.

A festa do Rosário de Nossa Senhora no Brasil está associada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelos nomes de Congada, Congado ou Congos. Por essa vinculação aos negros, o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia.

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