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quarta-feira 3 de junho de 2026

Dois piçarrenses são reconhecidos com o Troféu Açorianidade 2025

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Dois piçarrenses receberam o Troféu Açorianidade 2025 durante a abertura do 31º Açor, em Barra Velha – evento que acontece de 12 a 14 deste mês. Gilberto José Cardozo (Troféu Ilha de São Jorge) e Cleo Bittencourt (Troféu Ilha das Flores) foram reconhecidos por suas contribuições cultural e artística em prol da manutenção das tradições açorianas.

Foto, Divulgação

Gilberto Cardozo recebeu o troféu que homenageia uma personalidade. Ele tem dedicado sua trajetória à preservação e valorização da cultura açoriana em Balneário Piçarras. Ator, diretor e escritor, deu vida a personagens marcantes como Tio Quirino e Tia Bilica, que retratam o modo de falar e viver da gente litorânea, transformando histórias orais em peças e livros. Autor de obras de poesia e contos ligados às tradições locais, também foi o criador da tradicional corrida de baleeiras na década de 1990, evento que até hoje celebra o pescador artesanal, onde atua como locutor oficial. Com mais de 40 anos de atuação cultural, Gilberto é reconhecido como personalidade que resgata a memória, a oralidade e os costumes açorianos, tendo recebido prêmios de destaque pela sua trajetória cultural.

“Essa premiação foi uma surpresa. Fiquei muito agradecido de ser um dos escolhidos. A Cultura Açoriana, para mim, é por demais importante porque a minha mãe é verdadeira açoriana”

“Essa premiação foi uma surpresa. Fiquei muito agradecido de ser um dos escolhidos. A Cultura Açoriana, para mim, é por demais importante porque a minha mãe é verdadeira açoriana. Ela nasceu em 1915 lá no cantinho da ilha e meus avós eram açorianos puros. Minha mãe morreu aos 91 anos fazendo renda de bilros. Depois eu fui agraciado pelo personagem Quirino e Bilica, dois personagens que nós (eu e minha esposa) já temos há quase 30 anos. Várias peças de teatro que já fizemos, inclusive agora, que ainda continua em cartaz, que é ‘Piçarras: A Origem’”, diz Gilberto.

O artista conta ainda sobre a Corrida de Bateiras. “Foi lá por volta de 1990, ou 94, que a gente fez a primeira no município e depois a Cultura do município resolveu reviver esse evento. E é um vínculo que eu tenho com os pescadores. Através dessa corrida, todos os anos eu me reúno ali com eles, brincamos e nos divertimos. Eu fiquei realmente muito honrado com essa premiação. Foi muito especial para mim”.

Cleo teve honraria destinada a artistas plásticos e é referência na valorização da cultura açoriana por meio da cerâmica. Com formação na Argentina e especializações em cerâmica contemporânea, atua como professora na Fundação Municipal de Cultura e em seu próprio ateliê, onde ensina técnicas de modelagem em argila utilizando matéria-prima de Santa Catarina. Suas obras, que incluem bijuterias, souvenires, quadros e peças decorativas, são inspiradas no mar, na fauna litorânea e no folclore local, como o boi de mamão, fortalecendo a identidade cultural regional. Cleo se destaca pela dedicação em transmitir conhecimento, incentivar novos artistas e resgatar tradições artesanais açorianas, consolidando-se como importante difusora da cultura oleira e do artesanato do litoral catarinense.

“Foi uma surpresa e uma imensa honra receber o Troféu Açoriano Ilha das Flores. É uma alegria muito grande, porque esse prêmio não é só meu, ele também pertence à nossa cultura”

“Foi uma surpresa e uma imensa honra receber o Troféu Açoriano Ilha das Flores. É uma alegria muito grande, porque esse prêmio não é só meu, ele também pertence à nossa cultura. A cerâmica, que sempre esteve presente no fazer açoriano, carrega memória, afeto e identidade. Cada peça que nasce do barro traz um pouco dessa história. Receber este reconhecimento é, para mim, uma forma de honrar o passado e continuar levando adiante essa tradição do fazer cerâmico. Que esse prêmio seja um estímulo para seguirmos preservando e reinventando nossas tradições através da arte”, comenta Cleo.

Eles foram indicados pela Fundação de Cultura de Balneário Piçarras e foram avalizados pelo Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina (NEA).

TROFÉU AÇORIANIDADE

O Troféu Açorianidade reconhece e valoriza o trabalho de Instituições, pessoas e empresas, em prol da Cultura de Base Açoriana do estado de Santa Catarina. Com este troféu, que é entregue anualmente, o NEA tem procurado reconhecer a dedicação destas pessoas e instituições no zelo, em prol da causa da cultura açoriana.

Todos os anos são entregues 10 troféus com os seguintes nomes e quesitos:

Troféu Ilha de São Miguel (Instituição de Ensino Superior ou Cultural de SC), Troféu Ilha Terceira (Grupo Folclórico), Troféu Ilha do Faial (Administração Municipal), Troféu Ilha do Pico (Mestre dos Saberes e Fazeres), Troféu Ilha de São Jorge (Personalidade), Troféu Ilha Graciosa (Pesquisador), Troféu Ilha das Flores (Artista Plástico), Troféu Ilha de Santa Maria (Empresa/Patrocínio ou um Veículo de Comunicação), Troféu Ilha do Corvo (Artesão) e Troféu Ilha de Santa Catarina (Escola do Ensino Fundamental ou médio).

Os nomes destes troféus fazem menção às nove ilhas do Arquipélago Açoriano. A Ilha de Santa Catarina empresta o nome ao décimo troféu, que acreditamos ser a décima Ilha do arquipélago Açoriano. O município sede da Festa Anual da Cultura Açoriana de Santa Catarina recebe o Troféu Açorianidade/AÇOR sem concorrer às indicações e votações. Esta foi à forma que o Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos Açorianos encontrou de homenagear e agradecer a cidade sede desta Festa. Este ano, será Barra Velha.

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