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quinta-feira 20 de agosto de 2026

Estudo da UFSC aponta subnotificação de eventos de erosão costeira em Barra Velha

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Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Meio Ambiente & Sustentabilidade (RBMA&S) identificou falhas nos registros oficiais de eventos relacionados à erosão costeira e às marés de tempestade em Barra Velha. A pesquisa analisou ocorrências registradas entre 2001 e 2025 e aponta que o número de episódios e a abrangência dos impactos na costa podem ser maiores do que os registrados oficialmente.

O artigo, intitulado “Erosão Costeira em Barra Velha (SC): análise dos registros de eventos extremos e implicações para a gestão de riscos e desastres”, foi publicado na edição de 2026 da revista, volume 6, número 1, entre as páginas 208 e 239. A publicação original ocorreu em 17 de abril de 2026.

A pesquisa é assinada por Marcieli da Silva Ribeiro, Janete Josina de Abreu, Rita de Cássia Dutra e Elton Cesar Cunha, pesquisadores vinculados à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Para realizar o levantamento, os pesquisadores cruzaram informações do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) com documentos oficiais, decretos municipais, registros da Defesa Civil e conteúdos publicados pela imprensa e em plataformas digitais. O objetivo foi construir um panorama mais amplo dos eventos extremos que atingiram o litoral de Barra Velha.

Foto, Felipe Franco /Arquivo JC

13 OCORRÊNCIAS OFICIAIS E OUTROS REGISTROS
De acordo com o levantamento, o S2ID contabilizou 13 eventos associados à erosão costeira e às marés de tempestade entre 2001 e 2025. A análise de fontes complementares, porém, identificou ocorrências adicionais, indicando uma possível subnotificação dos episódios registrados oficialmente.

Os pesquisadores também identificaram 17 registros de mídia relacionados à erosão costeira no município. O cruzamento das diferentes fontes permitiu ampliar a compreensão sobre a frequência dos eventos e os locais atingidos.

A pesquisa aponta que a Península concentrou o maior número de ocorrências, seguida pelas praias das Pedras Brancas e Negras e do Grant. Também foram registrados impactos nas praias do Cerro, Tabuleiro, Central e do Sol.

Foto, Felipe Franco /Arquivo JC

DEZ DECRETOS DE EMERGÊNCIA
Outro dado levantado pelo estudo é a existência de dez decretos municipais relacionados a eventos de erosão costeira e marés de tempestade no período analisado. Desse total, nove foram classificados como Situação de Emergência e um como Estado de Calamidade Pública.

Entre os episódios descritos estão ressacas que provocaram avanço do mar sobre ruas e imóveis, destruição ou comprometimento de estruturas, danos a residências e estabelecimentos comerciais, além de impactos em vias públicas e áreas de restinga.

O estudo destaca que os episódios registrados ao longo dos anos demonstram uma recorrência dos eventos extremos e uma ampliação dos impactos sobre áreas urbanizadas da faixa costeira.

Foto, Arquivo JC

PREJUÍZOS ECONÔMICOS
Os registros oficiais também permitiram identificar prejuízos materiais e econômicos provocados por alguns dos eventos analisados. Segundo os dados apresentados no artigo, os prejuízos econômicos registrados no período chegaram a R$ 13,76 milhões em valores da época.

Os autores também atualizaram os valores pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). A correção resulta em aproximadamente R$ 57,75 milhões em valores de dezembro de 2025.

O levantamento considera danos a imóveis, infraestrutura pública e privada e outros prejuízos relacionados aos eventos extremos registrados no município.

Foto, Arquivo JC

CRESCIMENTO URBANO AUMENTA EXPOSIÇÃO
Para os pesquisadores, o problema não está relacionado apenas à dinâmica natural da costa. O avanço da urbanização sobre a faixa litorânea também contribui para aumentar a exposição da população e da infraestrutura aos eventos extremos.

O artigo destaca que Barra Velha apresentou crescimento expressivo da ocupação urbana da zona costeira nas últimas décadas. Com mais residências, vias, estabelecimentos comerciais e equipamentos instalados próximos ao mar, os efeitos de ressacas e processos erosivos podem provocar impactos cada vez maiores.

A pesquisa também aponta que a erosão costeira pode afetar atividades econômicas importantes para o município, especialmente o turismo, além de comprometer imóveis, infraestrutura e áreas naturais.

Foto, Arquivo JC

FALHAS NOS REGISTROS DIFICULTAM PLANEJAMENTO
Um dos principais alertas apresentados pelos autores está relacionado à qualidade das informações disponíveis. Segundo o estudo, problemas como subnotificação, inconsistências e ausência de informações detalhadas dificultam a construção de um diagnóstico preciso sobre os riscos costeiros.

A pesquisa aponta que diferentes fontes apresentam informações complementares sobre os mesmos eventos e que parte das ocorrências identificadas em reportagens e registros locais não aparece de maneira equivalente no sistema oficial.

Para os autores, essa situação pode comprometer a formulação de políticas públicas e o planejamento de medidas de prevenção e adaptação.

Foto, Arquivo JC

ESTUDO RECOMENDA INTEGRAÇÃO DE INFORMAÇÕES
Na conclusão, os pesquisadores defendem o aprimoramento dos registros oficiais de eventos extremos e a integração dessas informações ao planejamento territorial e à gestão de riscos e desastres.

O estudo também chama atenção para a necessidade de fortalecer a estrutura municipal de proteção e Defesa Civil e de adotar medidas de adaptação diante da exposição crescente da população aos riscos costeiros.

Segundo os autores, a construção de registros contínuos, padronizados e qualificados é fundamental para compreender a dinâmica dos eventos que atingem a orla de Barra Velha e orientar medidas capazes de reduzir os impactos da erosão costeira.

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