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sexta-feira 12 de junho de 2026

IMP explica formação de paredão de areia após alargamento da praia em Balneário Piçarras

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Um paredão de areia se formou no trecho Norte da Praia de Balneário Piçarras – ao lado do molhe de pedras na descida da Avenida Getúlio Vargas. O Instituto do Meio Ambiente do município (IMP), afirmou que se trata de uma escarpa erosiva, resultado das ressacas e do processo natural de acomodação da praia após a obra de alargamento da faixa de areia.

“A formação de escarpas erosivas observada no local está associada à atuação de eventos de alta energia, processo comum nos meses de outono e inverno, período em que há aumento da frequência de ressacas e da passagem de frentes frias na região. A ocorrência simultânea de marés de sizígia e desses eventos potencializa a remoção de sedimentos da pós-praia (porção emersa da praia), favorecendo a formação dessas feições erosivas”, pontua o IMP.

O trecho com registro erosivo não estava no projeto original da obra, que previa o alargamento de 2 quilômetros entre o Molhe da Barra Sul e o Molhe na descida da Avenida Getúlio Vargas. Por aditivo e fundamentando por estudos técnicos, o Governo Municipal estendeu a obra para mais 430 metros ao Sul. Historicamente, o setor registra fortes ressacas ao longo do inverno. Com o passar dos meses, naturalmente a areia retornava.

O IMP citou ainda que “os primeiros registros das escarpas ocorreram no final do mês de abril, período em que foram emitidos avisos de ressaca pela Marinha do Brasil para o litoral catarinense, indicando condições oceanográficas compatíveis com os processos observados. Além disso, a formação de escarpas constitui um comportamento esperado após obras de alimentação artificial de praias”.

O paredão se forma, conforme o IMP, por conta da “adição de sedimentos, a faixa de areia passa a apresentar um perfil mais elevado do que a condição de equilíbrio natural. Durante eventos de maior energia, ocorre um reajuste morfológico do perfil praial, com a redistribuição dos sedimentos da pós-praia para a antepraia (porção submersa da praia) e para outros trechos da costa, buscando uma nova condição de equilíbrio”.

As ressacas associadas às ondulações provenientes dos quadrantes sul e sudeste constituem os principais agentes responsáveis pelos processos erosivos de curto prazo observados na região. “Dessa forma, a formação das escarpas observadas é compatível com a dinâmica esperada para uma praia recentemente submetida a obras de alimentação artificial, não indicando, de forma isolada, uma condição de instabilidade ou comprometimento da obra executada. No entanto, trata-se de um processo que deve continuar sendo acompanhado por meio do monitoramento morfológico da praia, permitindo avaliar sua evolução ao longo do tempo e a resposta da faixa de areia aos eventos oceanográficos mais energéticos”, pondera o IMP.

O Plano Básico Ambiental da obra fará o acompanhamento técnico até início de 2027. Entre as ações desenvolvidas, há um programa específico de monitoramento da linha de costa e do perfil praial, que acompanha continuamente o comportamento da faixa de areia ao longo de toda a área contemplada pela obra e também em trechos adjacentes. Na região onde ocorreu a formação da escarpa, existem perfis de monitoramento próximos que permitem avaliar a evolução das condições locais ao longo do tempo.

“A formação de uma escarpa após eventos de maior energia das ondas não significa, necessariamente, uma perda definitiva de areia ou um processo erosivo permanente”

Por fim, o IMP destaca que “a formação de uma escarpa após eventos de maior energia das ondas não significa, necessariamente, uma perda definitiva de areia ou um processo erosivo permanente. Em ambientes costeiros, é comum que parte da areia seja deslocada temporariamente para regiões mais profundas durante períodos de mar agitado e retorne à faixa de praia quando as condições do mar voltam à normalidade. O monitoramento contínuo é justamente o instrumento que permite acompanhar essa dinâmica e avaliar a necessidade de eventuais medidas adicionais”.

O engordamento da praia foi executado entre os meses de janeiro e março, com valor final de R$ 47.849.999,98 – custeados pelo Fundo de Manutenção da Praia, o FUMPRA. A obra foi executada pela DTA Engenharia. Segundo o Governo Municipal, 493.000 m³ de areia foram lançadas nos 2,4 quilômetros. Outros R$ 3.314.966,98 foram contratados para execução dos programas ambientais previstos no Plano Básico Ambiental (PBA), referentes à obra de alimentação artificial da praia.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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