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quarta-feira 26 de agosto de 2026

NASA alerta para possível formação de forte El Niño após avanço de águas quentes no Pacífico

Crédito: NASA/JPL-Caltech
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A NASA e parceiros europeus identificaram sinais importantes da possível formação de do fenômeno El Niño nos próximos meses. Dados obtidos pelo satélite Sentinel-6 Michael Freilich mostram que uma enorme massa de água quente está avançando pelo Oceano Pacífico em direção à costa da América do Sul, indicando mudanças significativas nas temperaturas oceânicas.

Segundo os pesquisadores, o satélite detectou uma elevação anormal no nível do mar ao largo do Peru, consequência direta do aquecimento das águas. Em meados de maio, o nível do oceano na região estava mais de 15 centímetros acima da média histórica, um forte indicativo da atuação das chamadas “ondas Kelvin quentes”, fenômeno associado ao desenvolvimento do El Niño.

De acordo com Josh Willis, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, o fenômeno deste ano começou mais tarde em comparação aos grandes eventos de 1997 e 2015, mas já demonstra sinais de fortalecimento. “Embora o evento deste ano tenha começado um pouco mais tarde do que os grandes El Niños de 2015 e 1997, ele está começando a alcançá-los”, afirmou o cientista.

Crédito: NASA/JPL-Caltech

O Sentinel-6 Michael Freilich, lançado em 2020 pela NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) e o programa Copernicus da União Europeia, realiza medições globais do nível do mar a cada 10 dias com altíssima precisão. O monitoramento permite acompanhar em tempo real alterações térmicas nos oceanos e antecipar possíveis impactos climáticos.

O El Niño ocorre quando águas superficiais do Pacífico central e oriental ficam mais quentes do que o normal por vários meses consecutivos. Esse aquecimento altera os padrões atmosféricos globais, interferindo diretamente na formação de chuvas, secas, tempestades e ondas de calor em diversas partes do mundo.

Os efeitos podem ser sentidos em diferentes regiões do planeta. Em alguns locais, o fenômeno provoca chuvas intensas e enchentes; em outros, gera longos períodos de estiagem e calor extremo. Grandes episódios de El Niño já causaram secas severas na África, enchentes na Califórnia e impactos econômicos significativos na agricultura, pesca e abastecimento de água.

Historicamente, o fenômeno costuma atingir seu pico entre novembro e janeiro. Especialistas alertam que ainda é cedo para definir a intensidade do evento atual, mas os dados observados até agora acendem um sinal de atenção para os próximos meses.

A cientista da NASA Nadya Vinogradova Shiffer destacou que o monitoramento via satélite é essencial para melhorar previsões climáticas e ajudar governos e comunidades a se prepararem para possíveis desastres naturais e riscos costeiros.

O nome El Niño surgiu no século XVII, criado por pescadores da América do Sul. Em espanhol, significa “o menino”, em referência ao nascimento de Jesus Cristo, já que o fenômeno costumava se intensificar próximo ao Natal. Na época, os pescadores percebiam que as águas mais quentes reduziam drasticamente a quantidade de peixes na região.

Especialistas reforçam que cada episódio do El Niño possui características próprias, mas praticamente todos resultam em aumento das temperaturas globais e mudanças importantes nos regimes de chuva ao redor do planeta.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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