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segunda-feira 20 de maio de 2024


Mais de 10 mil eleitores deixaram de votar em Barra Velha, Penha e Piçarras

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Os números eleitorais de 2 de outubro mostraram que 10.586 pessoas deixaram de votar em Balneário Piçarras, Barra Velha e Penha. Listados na categoria de abstenção, os dados revelam um crescimento constante de eleitores que estão deixando de votar, registrando um dos maiores índices da história dos pleitos municipais.

Para o cientista político, Clóvis Veronez, esse não é um fenômeno apenas das cidades pequenas, mas registrado em todo o país e que pode representar “claramente um ceticismo crescente com relação a efetividade do voto”, disse ao Jornal do Comércio. Entre as três cidades, o maior índice está em Barra Velha.

Dos 21.334 eleitores aptos ao voto, 3.938 deixaram de votar em Barra Velha, representando 18,46%. Dos votantes, outros 1.380 optaram pelo voto em branco (462) ou nulo (918). No pleito de 2012, o índice de abstenção foi de 15,68% e em 2008 de 14,29%. O voto em branco ou nulo também se mostrou crescente.

“O fenômeno não é local. Nessa eleição a rejeição ao sistema político ficou evidente em pelo menos dois aspectos. O primeiro foi no crescimento das abstenções, votos nulos e brancos”, completou Veronez, citando dados de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Penha vem em seguida, com 18,28% de abstenção. Tal índice representar 18,28% dos 20.972 eleitores regularizados para votar. Brancos (348) e nulos (656) somam mais 1.004 eleitores. Em 2012 o percentual de abstenção foi de 15,65% e em 2008 de 14,87%. O crescimento de eleitores das categorias branco e nulo também cresceu consideravelmente.

Em Balneário Piçarras, 17,90% não foram as urnas. 2.815 eleitores de um colégio eleitoral de 15.722 votantes. Dados que também revelam um considerável crescimento entre 2008 (14,80%) e 2012 (15,52%). Nas urnas, mais 223 eleitores votaram em branco e 322 na opção nulo. 

Veronez observa tal crescente negativa como a descrença social de que seu voto representa, efetivamente, um futuro novo. “O tempo da política, considerado na ciência política, aquele que antecede a eleição, substituiu o “renovar” de esperanças que o tem caracterizado pela manifestação da desesperança. Some-se a fraqueza da instituição do voto obrigatório no pequeno ônus da ausência. Manifestação comum entre populares é a seguinte: pago três reais e não vou votar”, encerrou.

Foto por: Felipe Bieging | JC

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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