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Piçarras
quarta-feira 17 de abril de 2024


Areia da praia acirra antiga briga política local

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Governo Municipal e a oposição legislativa travam uma nova briga política em Balneário Piçarras. Após divergirem sobre as obras de drenagem sustentável dos Rios Piçarras e Furado, a discórdia da vez é a erosão da Praia Central. O vereador, Ivo Álvaro Fleith (PSDB), disse durante seu discurso na Câmara de Vereadores, dia 28, que a primeira recuperação foi realizada com a areia incorreta. Em nota oficial, divulgada na quinta-feira, 30, o Governo pôs combustível no assunto chamando a ex-administração de incompetente e tecendo outras críticas.
“Eu estranhei quando li nos jornais a versão da Prefeitura para esta erosão”, disse o vereador, após ter afirmado que a praia de Balneário Piçarras possui características de uma orla rasa. Segundo o Governo Municipal, a granulação da areia depositada na obra do de 2008 era inadequada e é apontada como fator para o aceleramento do processo de erosão. A areia foi retirada das proximidades da Praia Alegre e, visivelmente, apresenta granulação menor à depositada na obra realizada em 1998, idealizada no governo do atual prefeito. “Se retornarmos um pouco no tempo, vamos lembrar que a nossa praia é uma praia rasa, de areia fina e onde até teco-teco pousava”, frisa Ivo.
O vereador afirma que a granulação da areia do aterro de 2008 era a que deveria ter sido depositada em 1998, quando ele fazia parte do Governo e era secretário de Obras. “Quando foi contratada a Jan De Nul para fazer o aterro, a nossa areia, especificada em projeto, era fina. A jazida era pelo lado de terra do Itacolomi”, afirma. “Eu não sei se foi malandragem deles, mas uma coisa nos surpreendeu. De uma hora para outra eles foram lá fora (alto mar), através de uma carta náutica da Marinha, e já acharam areia de granulação grossa”, acrescenta.
Segundo o vereador, a busca por areia em alto mar aconteceu após a empresa não ter achado a mais fina no local citado. Ivo afirma que a jazida com o material depositado na praia estava a sete quilômetros de distância das Ilhas Itacolomi. “Por que eles andariam mais quatorze quilômetros? Presente? Não. Porque o volume de uma areia com granulação da nossa (fina) é muito menor do que uma areia grossa. Isso, em um volume grande, da uma diferença enorme”, denuncia o vereador, onze anos depois.
Na sessão de terça-feira, 5, o vereador, Júlio Cesar Teixeira (PP), voltou a tocar no assunto e questionou os valores da obra realizada em 2008, quando Ivo era vice-prefeito. “Aumentou o valor e diminuiu a distância, o volume de areia. Eu não sei como fazem isso”, disse em tribuna o vereador. Júlio ainda revelou que a obra passa por uma investigação do Ministério Público e da Controladoria Geral da União (CGU). Ivo não participou da última reunião legislativa.
Na nota oficial, o Governo Municipal utiliza uma citação do ex-prefeito para exemplificar a necessidade de uma nova recuperação orla, dois anos após a última. “Em 31 de maio de 2008, o ex-prefeito declarou ao Jornal do Comércio o seguinte: Nossos estudos revelaram que os bancos de areia estão na saída da Praia Alegre (…) Essa areia é típica da nossa praia e vai durar mais tempo. Não durou”, diz o documento, assinado pelo prefeito, Umberto Luiz Teixeira.
A obra de 2008 custou R$ 2,5 milhões, pagos com recursos do Ministério da Integração Nacional e do Fundo de Manutenção da Praia (Fumpra). Segundo dados divulgados na época, 144.697 mil metros cúbicos de areia de grão finos foram depositados. “O que se vê hoje na beira mar é resultado da falta de planejamento e de responsabilidade na aplicação de recursos públicos. Para despejar sobre a nossa orla a areia da Praia Alegre, que se esvaiu em menos de dois anos, a administração passada desperdiçou R$2,5 milhões do Ministério da Integração Nacional e do Fundo de Manutenção da Praia (Fumpra), que nós criamos logo após a primeira obra, em 1999”, rebate o Governo.
“Aos críticos da atual administração, lembramos que o primeiro aterro feito por nós há 11 anos deveria receber manutenção periódica. Eles tiveram a oportunidade, mas foram incompetentes para executar a obra com eficiência”, diz a nota, assinada pelo prefeito, Umberto Luiz Teixeira. No documento, o Governo Municipal encerra com um compromisso: o de recuperar a praia. “Reafirmamos, portanto, o compromisso de recuperar mais uma vez a faixa de areia e de aplicar os recursos federais em uma solução que garanta estabilidade e que sirva à comunidade”.
 

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