Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB) transmite o cargo de prefeito de Penha ao eleito Aquiles José Schneider da Costa (PMDB) em cerimônia na manhã do primeiro dia de janeiro. Após oito anos de gestão, iniciados com uma vitória nas urnas com obtenção de 56%, Evandro analisa positivamente suas ações no município. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio, o tucano elencou as ações que considera o legado de seus dois mandatos, pontuando obras na Saúde, Educação e Infraestrutura. “As obras estão aí para que as pessoas possam realmente acompanhar e ver”, sacramentou.
O governo de Evandro também foi marcado por polêmicas envolvendo denúncias de uso indevido de recursos públicos, tráfico de influência e uma cassação – revertida posteriormente. Ainda aguardando o momento jurídico para se defender, Evandro concordou que tais questões foram cruciais para diminuir sua popularidade e que o processo “foi muito desgastante”. Na reeleição de 2012, viu sua margem eleitoral cair 4%. Promessas não cumpridas em alguns bairros também favoreceram a queda.
Apoiando um candidato vencido com facilidade nas eleições de outubro (61,51% x 21,44% Júlio), Evandro analisa que a qualidade do grupo de Aquiles, em associação ao sentimento popular por uma mudança radical na filosofia administrativa e a divisão do próprio grupo foram cruciais para a vitória incontestável do peemedebista. Agora, Evandro diz que vai focar suas energias para auxiliar o PSDB a nível estadual e garante: “não serei candidato nas eleições de 2020 em Penha”.
JC – Um ciclo político administrativo se encerra no próximo dia 31. Como o senhor avaliar seus oito anos de mandato?
Evandro: Nesses oito anos de governo pode-se dizer que passamos por momentos difíceis e momentos bons. Saio com o sentimento de dever cumprido. Grandes avanços nós tivemos em áreas como a Educação, Saúde e até mesmo na própria questão de infraestrutura – que talvez seja um setor que a sociedade tanto cobra. As obras estão aí para que as pessoas possam realmente acompanhar e ver que os oitos anos do nosso governo foram de muitas realizações, inovações e transformações para melhorar a qualidade de vida do povo de Penha.
JC – Quais as ações que o senhor considera mais importantes em seus dois mandatos?
Evandro: Na questão da Saúde eu posso dizer que a construção do Pronto Atendimento 24 Horas talvez tenha sido o grande legado da minha administração. Tivemos vários avanços, mais eu cito este como sendo um dos principais. Na Educação eu posso dizer que foi a criação e construção das Creches Berçários – que assim como o P.A 24h, também não existia na nossa cidade. Em oito anos de Governo, colocamos mais de mil crianças nas creches e isso nos deixa muito satisfeitos. E na Infraestrutura, eu posso dizer que nós fizemos três calçadões à beira mar, urbanizando três praias: a Praia Grande, a Praia Alegre e Praia do Trapiche. Essas ações eu observo como um grande legado. Quero citar também, que no meu governo foram pavimentadas quase 200 ruas, um número expressivo e que demonstra a cidade estava com muitas ruas para serem melhoradas – e essa conta ficou para nós resolvermos. Comunidades que nunca nem sonharam que seriam pavimentadas hoje estão.
JC – Em qual setor, ou bairro, poderia ter investido mais? O que faltou para que isso ocorresse?
Evandro: Nos bairros de São Cristóvão e São Nicolau existia sim um compromisso do nosso governo em viabilizar recursos para poder pavimentar as vias principais desses bairros. Nós conseguimos o recurso e de onde nós conseguimos, infelizmente, depois acabou o recurso não vindo. Essa, talvez, seja a maior dívida, a minha maior tristeza de não ter realizado esse compromisso que a gente havia assumido. O bairro do Mariscal também esperava a pavimentação e nós também não conseguimos concluir. Mas, é importante frisar que nessas comunidades nós atacamos muito fortemente as questões de Educação e Saúde – melhorando a qualidade de vida daqueles moradores. Ficamos devendo em uma área, mas compensamos em outra.
JC – Como o senhor enxerga a Penha de 2009 – assim que assumiu – e a Penha de 2016?
Evandro: É uma Penha totalmente diferente. O próximo prefeito, claro que terá os seus desafios do cotidiano e comuns do gestor público, terá avanços que ele não precisa correr atrás, porque a nossa Administração já realizou essas conquistas. É uma Penha totalmente diferente na questão financeira, economia e principalmente em obras. Obras que, quando eu assumi, eram grandes reivindicações da comunidade, como o P.A24h, as creches berçários, mais médicos e mais investimentos no esporte. Entre quadra e ginásios, por exemplo, nós construímos 8 equipamentos públicos. Fizemos 8 praças também. Avanços que o próximo governo não terá essa responsabilidade, apenas de manter.
JC – Seu governo também foi marcado por questões polêmicas – como supostas compras superfaturas de apontadores e cabos de vassoura, suposto tráfico de influência para retirada de multas e também uma cassação de diploma. Como o senhor avalia todas essas questões?
Evandro: Vamos começar primeiro falando da cassação. Nós ficamos um ano e meio com esse processo tramitando nos tribunais – desde Santa Catarina até ir para Brasília. Foi um momento muito desgastante para minha pessoa e automaticamente refletiu no governo, porque nesse período eu acabei perdendo a alegria de ser prefeito. Ser cassado por uma questão eleitoral, uma questão tão simples, foi muito desgastante. Graças a Deus, conseguimos reverter esse painel e fazer a verdade prevalecer, pudemos mostrar que nada daquilo era ilegal. A questão das multas de trânsito, dos apontadores e dos materiais de expediente já sofremos com o pré-julgamento popular – a gente pode sentir isso nas urnas em 2012 e 2016. O meu nome foi envolvido ser ter provas substanciais e, face é, que esses procedimentos ainda estão em fase de inquérito. Não existe uma denúncia acolhida pelo Tribunal, pela Justiça. Não existe um processo para que eu possa demonstrar a minha inocência. Existem acusações feitas pelo Ministério Público, mas em fase de inquérito. Quando a Justiça receber a denúncia, vai ser o meu momento oportuno efetivamente de eu provar a minha inocência.
JC – Acredita que toda essa repercussão possa ter atrapalhado a imagem de administrador público?
Evandro: Acredito que sim. As pessoas fazem seu julgamento por aquilo que a mídia coloca e nem sempre a mídia coloca aquilo que é devido. Infelizmente, quem paga essa conta é somente o setor político. A imprensa, desde o meu primeiro momento quando eu tive conta eleitoral rejeitada em 2008, a forma como eu fui atacado é diferente da forma com que a imprensa se comporta com outros políticos. Então, as pessoas acabam comprando, pegando para si aquilo que é colocado na mídia e nem sempre a mídia coloca a verdade. Eu sei que isso atrapalhou um pouco, isso criou bastante dificuldade, mas, o tempo é o senhor da razão. As respostas sobre a nossa conduta, transparência e nosso compromisso com Penha serão reveladas com o tempo, e as pessoas vão entender. O parâmetro do bom é o ruim.
JC – Pensa em ser candidato a prefeito no futuro? Concorrer a deputado estadual está sem seus planos?
Evandro: Não. O meu pensamento hoje é fazer um trabalho com o PSDB a nível estadual. Não tenho pretensão voltar a ser candidato a prefeito no município de Penha. Os meus planos hoje eles vão para a questão do Estado, de repente, ser um candidato nas eleições de 2018 – mas isso ainda depende do ano que vem e da minha atuação junto ao PSDB do Estado. Não sei se vou trabalhar na assessoria de um deputado estadual, de um deputado federal ou de um senador. Dependo de algumas conjunturas políticas. Mas, uma coisa eu tenho bem clara comigo: não serei candidato nas eleições de 2020 em Penha.
JC – O que espera da nova administração eleita?
Evandro: Espero que o próximo prefeito possa dar continuidade aos avanços que o nosso governo fez. Aqui não está somente o meu suor, mas o suor de várias pessoas que aderiram ao nosso projeto, ao nosso plano de governo. E aquilo que, obviamente, eles entenderem que não esteja no caminho correto, que possam aprimorar e melhorar. No final de tudo, que possam trazer o resultado esperado, porque eu também sou penhense, e eu desejo sucesso à próxima administração. O resultado precisa ser um só: mudar a vida das pessoas.
JC – Quais desafios acredita que Aquiles e Lindomar irão lidar para administrar o município?
Evandro: Se fala muito sobre a situação econômica que o Brasil enfrenta. Mas, esse é um desafio que nós também tivemos lá trás, o prefeito que me antecedeu também teve e o próximo prefeito daqui 20 anos também terá. Os recursos sempre serão inferiores aos serviços demandados pela sociedade. Os desafios são os mesmos que nós encontramos: vai ter que ter muito trabalho, muita dedicação, muito empenho. Fazer gestão e dar o braço à comunidade. Os desafios só serão entendidos assim que assumirem o governo, aí de fato, entenderão que são grandes.
JC – O senhor analisa que o resultado das eleições reflete uma rejeição ao seu governo – mesmo não possuindo um candidato direto a prefeito?
Evandro: Não podemos tirar o mérito da equipe do Aquiles. A eleição deles teve alma, eu já disse isso ao Aquiles. O sentimento popular era para que ele pudesse chegar ao estado de prefeito. Esse é o primeiro passo: a gente não pode tirar a qualidade do nosso adversário, eles foram competentes e mostraram isso nas urnas. Mas, também, tem uma outra situação. O nosso Governo acabou se dividindo em dois candidatos a prefeito. O Júlio e o Felipinho eram dois candidatos que estavam dentro do Governo, as estruturas partidárias estavam conosco. É natural, vimos isso em outras cidades, e há um sentimento total muito forte por uma mudança mais brusca.
JC – O que espera da nova administração eleita?
Evandro: Espero que o próximo prefeito possa dar continuidade aos avanços que o nosso governo fez. Aqui não está somente o meu suor, mas o suor de várias pessoas que aderiram ao nosso projeto, ao nosso plano de governo. E aquilo que, obviamente, eles entenderem que não esteja no caminho correto, que possam aprimorar e melhorar. No final de tudo, que possam trazer o resultado esperado, porque eu também sou penhense, e eu desejo sucesso à próxima administração. O resultado precisa ser um só: mudar a vida das pessoas.
JC – Quais desafios acredita que Aquiles e Lindomar irão lidar para administrar o município?
Evandro: Se fala muito sobre a situação econômica que o Brasil enfrenta. Mas, esse é um desafio que nós também tivemos lá trás, o prefeito que me antecedeu também teve e o próximo prefeito daqui 20 anos também terá. Os recursos sempre serão inferiores aos serviços demandados pela sociedade. Os desafios são os mesmos que nós encontramos: vai ter que ter muito trabalho, muita dedicação, muito empenho. Fazer gestão e dar o braço à comunidade. Os desafios só serão entendidos assim que assumirem o governo, aí de fato, entenderão que são grandes.
JC – O senhor analisa que o resultado das eleições reflete uma rejeição ao seu governo – mesmo não possuindo um candidato direto a prefeito?
Evandro: Não podemos tirar o mérito da equipe do Aquiles. A eleição deles teve alma, eu já disse isso ao Aquiles. O sentimento popular era para que ele pudesse chegar ao estado de prefeito. Esse é o primeiro passo: a gente não pode tirar a qualidade do nosso adversário, eles foram competentes e mostraram isso nas urnas. Mas, também, tem uma outra situação. O nosso Governo acabou se dividindo em dois candidatos a prefeito. O Júlio e o Felipinho eram dois candidatos que estavam dentro do Governo, as estruturas partidárias estavam conosco. É natural, vimos isso em outras cidades, e há um sentimento total muito forte por uma mudança mais brusca.
Foto por: Arquivo JC | Felipe Bieging





