O avançado estado de deterioração da Casa de Palmitos, imóvel histórico tombado em 2014 pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compac) de Barra Velha, chegou até o plenário da Câmara de Vereadores de Barra Velha. O vereador Juliano Bernardes (PMDB) fez um alerta e cobrou alguma atitude Fundação Municipal de Turismo, Esporte e Cultura (Fumtec).
“O estado de abandono vivenciado pela Casa de Palmitos reflete o descaso do órgão gestor da cultura para com o patrimônio cultural. Estou ciente que a família proprietária do imóvel tenta anular o tombamento através da justiça mas isso não impede que o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural entre em ação para notificar a família visando a manutenção do telhado”, disse o parlamentar.
A Casa de Palmitos, construída entre os anos 30 e 40, no Costão dos Náufragos, foi tombada oficialmente como patrimônio histórico de Barra Velha, mas uma ação judicial de herdeiros do imóvel tenta reverter o quadro. Demoramos décadas para tombar a Casa de Palmitos como patrimônio histórico de Barra Velha até que finalmente conseguimos e hoje lamentamos que o Conselho responsável esteja inoperante e a Casa se deteriora a cada dia”, completou Juliano.
O parlamentar solicita que, através do Departamento de Cultura da Fumtec, o Compac seja acionado para deliberar sobre a questão, e que também comunique o Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) sobre a degradação do imóvel. “Rogo para que o Compac se reúna e realize às suas funções. Uma cidade que não valoriza as suas histórias perde a sua identidade. É isso que queremos para Barra Velha?”, finalizou Juliano, ao Jornal do Comércio.
A casa já enfrentava problemas com goteiras e cupim, e desde 2014, está fechada. Tanto Juliano como a Prefeitura de Barra Velha, à época, defendiam a manutenção do tombamento, visando ali instalar uma futura Casa de Cultura ou algo do gênero, buscando sua restauração. O posicionamento não evoluiu.
A CASA
A Casa de Palmitos foi a primeira edificação construída no Costão dos Náufragos, no Centro, ao lado do Porto da Pesca João Emílio Henrique. Na ocasião, caules de palmito foram trazidos das matas de Barra Velha para o local e lixados, para então serem fixados todos na mesma posição, constituindo as paredes.
O imóvel era um usufruto legal da moradora Erna Bisewski, nascida em Pomerode e casada aos 17 anos com André Bisweski, de Joinville. Após o falecimento dele, em 1948, dona Erna veio para Barra Velha, trabalhar num hotel de familiares.
O construtor e proprietário da casa era Augusto Teodor Wald Becker, do Paraná, com quem Erna manteve um romance, e passou a viver no imóvel. Com a morte dele, em 1955, ela assumiu a casa, até seu falecimento, em 29 de janeiro de 2013, já com 93 anos.
Com sua morte, o então diretor de Cultura Juliano Bernardes, junto do advogado e vice-prefeito Fábio Brugnago desenvolveram o processo de tombamento. Mas os familiares de Becker decidiram entrar na justiça para reverter o processo – o imóvel tem alto valor, justamente por sua posição, em pleno Costão dos Náufragos. A questão segue na Justiça.
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