A pedido da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Vereadores de Penha, o presidente Maurício Brockveld (MDB) apresentará na próxima reunião ordinária da casa, na quarta-feira, 8, uma moção de repúdio para o deputado estadual Jessé Lopes (PSL). O parlamentar se encontrou no último dia 31 de agosto com o agressor de Maria da Penha e postou foto em suas redes sociais dizendo que a história era “intrigante”. O deputado publicou um vídeo explicando que não corrobora da versão narrada pelo agressor.
Jessé encontrou-se com o agressor no mês em que se comemora os 15 anos da promulgação da Lei Maria da Penha, que é um símbolo da luta das mulheres contra a violência. “Qualquer deputado tem o direito de receber qualquer pessoa no gabinete. Agora, postar uma foto em rede social ao lado do agressor que tentou matar a Maria da Penha e que a deixou tetraplégica, não dá para admitir um negócio desses […] Isso que ele fez é uma forma de instigar a violência contra a mulher”, ressalta o vereador Luiz Fernando Vailatti (Podemos), o Ferrão, que é o procurador especial da mulher na Câmara de Penha.
No ano de 1983, Marco Antônio Heredia Viveros atirou em Maria da Penha enquanto ela dormia, deixando-a tetraplégica. Quatro meses depois da primeira tentativa de homicídio, ela retornou para a casa e foi mantida em cárcere privado por cerca de 15 dias, quando o então marido tentou eletrocutá-la durante o banho. Por decisão da justiça, Marco Antônio pode cumprir a pena em liberdade, levando Maria da Penha a denunciá-lo para a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Sancionada em 7 de agosto de 2006 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei que leva o nome de Maria da Penha tem o objetivo de criar mecanismos para prevenir e coibir a violência contra a mulher, seguindo os preceitos da Constituição Federal.
Em seu canal no Youtube, o deputado postou um vídeo intitulado “Nota ao Público”, onde afirma que é comum posar para fotos com quem visita seu gabinete, mas que não concorda com a versão do de Marco. “Ouvir a versão do Senhor Marco não significa que corroboro com a fala apresentada, tão pouco que me compadeço com as consequências que o atingiram após trâmite regular das ações judiciais envolvendo o caso”, disse ele em um trecho do vídeo, que teve a opção de comentários desabilitada pelo autor.





