A Câmara Municipal de Penha aprovou, durante a sessão ordinária realizada no dia 18, uma Moção de Aplauso em homenagem ao professor Eduardo João de Souza, conhecido como “Bajara”, em reconhecimento à sua trajetória dedicada à preservação da história, da cultura e da identidade do povo penhense. A proposição é de autoria do vereador e presidente em exercício, Diego Luis Matiello (MDB).
“Guardião da memória coletiva, Bajara compreendeu que a história de um povo não está apenas nos livros, mas também nas tradições, nas festas populares, na religiosidade, na cultura dos pescadores e nos costumes herdados dos colonizadores açorianos que ajudaram a formar a identidade cultural do litoral catarinense. Seu trabalho incansável na valorização dessas tradições, bem como sua atuação em projetos culturais e na organização das políticas públicas de cultura no município, contribuiu significativamente para fortalecer o sentimento de pertencimento e orgulho da comunidade penhense por sua própria história”, destaca o autor da moção.
Bajara agradeceu e disse que “receber a Moção como reconhecimento por todo esforço e resultados alcançados com um trabalho incansável, é muito prazeroso. Graças a Deus tive a oportunidade de mostrar a minha capacidade em trabalhar com Cultura, uma área que ainda necessita de mais investimentos, porém conseguimos construir um caminho de legado histórico, como objetivo final de salvaguardar os saberes e fazeres do nosso povo. A história é viva e pujante quando é vivida, vivenciada, contada e registrada”.
Ele finalizou pontuando que “se hoje, pesquisadores como eu, temos elementos suficientes para embasar nosso trabalho, é graças àquelas pessoas que, outrora, praticaram a ação de construir e registrar em livros, correspondências, etc., os fatos da época. Meu sentimento é de gratidão, tanto aos atores que direcionam as honrarias, tanto quanto às pessoas que valorizam estes gestos”.
Professor das áreas de Matemática, Química e Física desde 1994 na rede pública de ensino, Bajara também se consolidou como uma das principais referências culturais do município. Descendente de açorianos por parte paterna e de belgas por parte materna, ele desenvolveu ao longo da vida um profundo interesse pela colonização do litoral catarinense, especialmente pela história de Penha.

“Meu sentimento é de gratidão, tanto aos atores que direcionam as honrarias, tanto quanto às pessoas que valorizam estes gestos”
Entre 2017 e 2024, atuou como superintendente da Fundação Cultural de Penha, período em que liderou importantes avanços para o setor cultural do município. Entre os principais legados deixados durante sua gestão estão a criação da Fundação Municipal Cultural Picucho Santos.
A moção também destaca o reconhecimento estadual e nacional conquistado pelo professor ao longo da carreira. Em 2022, recebeu as comendas Homem Brilhante e Embaixador Cultural da Paz pela Academia de Letras do Brasil em Santa Catarina. Já em 2023, foi homenageado pelo Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC com o Troféu Catarinense Açorianidade Ilha Graciosa, na categoria Pesquisador e Historiador.
A homenagem ressalta ainda que o professor prepara o lançamento de um livro inédito previsto para julho de 2026, intitulado “Penha de Itapocoróy – Histórias e Memórias dos mais de 300 anos”, resultado de décadas de pesquisas, leituras e estudos sobre a história local.
“Mais do que preservar o passado, Bajara ajudou a construir pontes entre gerações, permitindo que jovens e adultos reconheçam na cultura local um patrimônio vivo, digno de respeito, cuidado e continuidade”, enfatiza Matiello.





