Balneário Piçarras recebeu na segunda-feira, 20, um encontro do Grupo de Apoio às Pessoas com Lesão Medular (Galeme), de Florianópolis – que tem aporte multiprofissional no Centro de Reabilitação Catarinense. Dez cadeirantes participaram de uma série de atividades, mas todas focadas em um objetivo maior: trocar experiências entre si e com isso melhorar a saúde e a qualidade de vida.
“Esse encontro acontece mensalmente em Florianópolis e foi um grupo idealizado por uma enfermeira do Centro Catarinense de Reabilitação. Através dos encontros mensais com diversos assuntos vai se fazendo promoção em saúde”, explica a fisioterapeuta da Residência Multiprofissional em Atenção Básica/ Saúde da Família da Univali, Lucia Rupp.
Quatro cadeirantes de Balneário Piçarras participam do grupo, que pela primeira vez teve seu encontro na cidade. E a agenda foi cheia. Palestra com Eduardo Torto Menegheli (deficiente físico desde o nascimento), um almoço especial, visita ao Museu Oceanográfico da Univali e depois uma apresentação de esporte adaptado no Ginásio Aurélio Solano de Macedo (sob a coordenação da paraatleta Gevelyn Almeida, presidente do Instituto Catarinense de Esporte para Deficientes (ICED) de Balneário Camboriú) deram o tom do encontro.
Antônio Curbani Neto, que participou do encontro pela primeira vez, aprovou a iniciativa. “Foi a primeira vez que participou e gostei muito. A partir de agora pretendo continuar a frequentar o grupo”, adiantou o cadeirante, que ficou tetraplégico após um acidente de caminhão em maio de 2008, na “Serra de Curitiba”. “Foi uma mudança muito grande. Eu era acostumado a andar de cavalo, andar de trator, plantar meu arroz… Se a pessoa não tem estrutura emocional acaba fazendo uma besteira”, recordou.
Wesley também participou do encontro. “O grupo Galeme está me proporcionando a ressocialização e como aceitar e se adaptar com minhas limitações. São trocas de experiências e aprendizado” contou. Aos 38 anos, Wesley sofre um acidente de carro, três anos atrás, tornando-se um tetraplégico – perdendo os movimentos do pescoço para baixo.
“Uma dificuldade de adaptação física, psicológica, ambiental e principalmente social. O foco dos encontros é trabalhar essas adaptações”, finaliza Lucia, explicando ainda que o Galeme possui pacientes de uma série de cidades catarinenses: Florianópolis, Palhoça, Meleiro, Lages, Balneário Piçarras, Balneário Camboriú e Rio Negrinho – por exemplo.
O secretário de Saúde de Balneário Piçarras, Vinício José Santos, ressaltou a importância dos encontros e colocou a estrutura do município a disposição para futuras novas visitas. “São pessoas vencedoras pela história que apresentam. São diversas formas de superação que nos fazem ver como a vida é complexa e repleta de obstáculos. É uma verdadeira lição de vida para quem nunca conviveu com pessoas detentoras destas patologias, que apresentam suas limitações físicas, mas tem evolução mental acima da média”, encerrou.





