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sexta-feira 1 de março de 2024


Agosto Dourado: “O aleitamento materno deve ser sempre incentivado”

No mês de incentivo à amamentação, especialistas comentam o assunto. “É muito prazeroso saber que naquele momento você é o mundo inteirinho para maior amor da sua vida”

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O mês de agosto é conhecido, no meio materno-infantil, como o Agosto Dourado. Ele simboliza a luta pelo incentivo à amamentação, que tem sua cor simbolizada pela riqueza do leite. Além de elevar a imunidade do recém-nascido, entre outras questões, a amamentação potencializa ainda mais os laços entre mãe e bebê.

“O aleitamento materno deve ser sempre incentivado, principalmente porque ele diminui a mortalidade infantil. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças menores de 5 anos”, frisa a médica e pediatra, Mônica Nayara Franchetti.

A professora universitária de Enfermagem e Especialista em saúde materno-infantil, Andressa Avila Melo, comenta que “uma das maiores dúvidas é: quando iniciar. E a resposta é simples: deve-se iniciar na primeira hora de vida do bebê. O leite se torna essencial para seu alimento e também para que ele aprenda a pegada”, explica.

“É muito prazeroso saber que naquele momento você é o mundo inteirinho para maior amor da sua vida e te faz sentir como se não precisasse de mais nada”

Andressa conta que entre os principais benefícios da amamentação para o bebê estão a melhora da digestão, diminuição das cólicas, redução do risco de doenças alérgicas e estimulação e fortalecimento da arcada dentária. “A ingestão do leite materno previne, ainda, doenças contagiosas, como a diarreia, por exemplo, e diminuiu as chances de desenvolver a doença de Crohn, que causa uma inflamação no trato gastrointestinal”, acrescenta.

A amamentação também traz benefícios à mãe, como o emagrecimento, além de ser “capaz de proporcionar uma melhora do vínculo mãe-filho, tem um custo menor quando comparado com alimentação artificial e quanto ao desenvolvimento neurológico, a amamentação tem sido relacionada a desempenho ligeiramente melhor em testes de desenvolvimento cognitivo”, enaltece Mônica.

Daiana Moreira, mãe de Vicente e Heitor, os amamentou até os dois e três anos. Para ela, o ato foi “uma mistura de sentimentos. Uma realização porque não é fácil (no começo dói muito) ainda assim é muito prazeroso saber que naquele momento você é o mundo inteirinho para maior amor da sua vida e te faz sentir como se não precisasse de mais nada. Que aqueles momentos poderiam durar para sempre. Por isso amamentei por mais tempo”.

ABRE ASPAS | Mônica Nayara Franchetti, médica e pediatra

JC – Porque uma campanha de amamentação foi batizada de ‘Agosto Dourado’?

Dra. Mônica – O Agosto Dourado, é uma campanha criada pela Organização Mundial de Saúde para incentivar o aleitamento materno, o dourado foi escolhido pois o leite materno é o alimento padrão ouro para os bebês.

JC – Quais são os reais benefícios do leite materno?

Dra. Mônica – Primeiramente o aleitamento materno deve ser sempre incentivado, principalmente porque ele diminui a mortalidade infantil. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças menores de 5 anos. Além disso, a amamentação confere proteção contra muitas doenças infecciosas, incluindo meningite bacteriana, diarreia, infecções respiratórias e até mesmo diminui o risco de alergias alimentares.

O aleitamento materno também diminui também o risco de sobrepeso e obesidade, e influencia até mesmo no desenvolvimento de doenças após a amamentação – como na asma em crianças mais velhas e adultos que foram amamentados, comparados com indivíduos que não foram amamentados.

A amamentação é capaz de proporcionar uma melhora do vínculo mãe-filho, tem um custo menor quando comparado com alimentação artificial e quanto ao desenvolvimento neurológico, a amamentação tem sido relacionada a desempenho ligeiramente melhor em testes de desenvolvimento cognitivo.

JC – Até que idade o aleitamento materno é considerado ideal?

Dra. Mônica – É recomendado que o bebê receba somente leite materno até os seis meses de vida, após este período ele deve receber uma alimentação complementar, porém sendo mantido em aleitamento materno até os 2 anos ou mais.

JC – Existe uma idade limite para concluir o aleitamento materno?

Dra. Mônica – Não existe uma idade limite para a amamentação. Após os 2 anos, o leite materno ainda continua proporcionando vantagens nutricionais e imunológicas, só é importante garantir que a criança ainda esteja recebendo os nutrientes necessários também de outros alimentos.

JC – Estresse e nervosismo atrapalham a produção de leite?

Dra. Mônica – O estresse e o nervosismo, podem atrapalhar e muito a amamentação, pois podem interferir na produção dos hormônios necessários para o aleitamento, na prolactina, responsável pela síntese e liberação do leite e na ocitocina, responsável pela saída do leite produzido. Uma mãe ansiosa, pode sim encontrar dificuldades para amamentar.

JC – Existe “leite fraco”?

Dra. Mônica – Não existe leite fraco. Isso é um mito, o leite materno tem todos os nutrientes necessários para o bebê.

JC – Amamentar dói?

Dra. Mônica – Amamentar não deveria ser causa de dor, porém quando ela acontece é importante procurar ajuda profissional o quanto antes. A pega incorreta, que machuca os mamilos e causa desconforto para mãe, é a causa mais comum de dor na amamentação. Ela ainda pode fazer com que o bebê não ganhe peso adequadamente, aumento assim as chances de ocorrer o desmame.

JC – A amamentação faz a mãe emagrecer?

Dra. Mônica – Sim. Amamentar pode emagrecer porque a mulher na gravidez, costuma fazer uma reserva energética para o bebê, já no período da lactação a mãe precisa de muitas calorias para produção de leite e nem sempre sua alimentação é suficiente, então a reserva de calorias da gestação acaba sendo utilizada e por consequência ocorre a perda de peso.

JC – Revezar os seios faz com que a alimentação seja completa?

Dra. Mônica – Sim. Mas, mais importante que revezar os seios, é completar o esvaziamento deles, já que no início da mamada o leite é rico em sais minerais, que hidratam o bebê, e no final, ele é abundante em gordura, componente importante para o ganho de peso e saciedade do recém-nascido.

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