Com a chegada do inverno, cresce a preocupação com as doenças respiratórias em Santa Catarina. No primeiro semestre de 2025, o estado já contabilizou 8.025 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (SES). A maior parte dos casos está relacionada a vírus como adenovírus, vírus sincicial respiratório e rinovírus (3.116 casos, ou 38,8%), seguidos pela Influenza (1.546 casos, 19,3%) e Covid-19 (265 casos, 3,4%).
A disseminação intensa desses vírus tem elevado a demanda por atendimentos hospitalares, principalmente entre crianças pequenas e idosos. Os dados mostram que, entre os casos de SRAG por Influenza, pessoas com mais de 60 anos representam 48%, enquanto crianças de 0 a 4 anos somam 19,5%. A maior parte dos óbitos se concentra entre pessoas a partir dos 50 anos.
As doenças respiratórias se propagam, em geral, pelo contato com gotículas expelidas por pessoas infectadas ao tossirem, espirrarem ou falarem, além da exposição a superfícies contaminadas.
“As principais são infecções virais das vias aéreas superiores, como resfriados comuns (causados por vírus como rinovírus) e influenza (gripe). A COVID-19 mantém relevância sazonal”
O médico infectologista Dr. Pablo Sebastian Velho explica que “as principais são infecções virais das vias aéreas superiores, como resfriados comuns (causados por vírus como rinovírus) e influenza (gripe). A COVID-19 mantém relevância sazonal. Em crianças, destaca-se a bronquiolite (frequentemente por Vírus Sincicial Respiratório – VSR). Além disso, há agravamento de condições crônicas como asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), e casos de pneumonia (que pode ser complicação de infecções prévias)”.
Segundo ele, a sazonalidade favorece a transmissão: “combina fatores como: maior aglomeração em ambientes fechados (facilitando transmissão por gotículas e aerossóis); ar mais seco e frio (resseca mucosas nasais, reduzindo defesas naturais); maior estabilidade de vírus em baixas temperaturas e umidade; e menor ventilação de ambientes internos (concentrando agentes infecciosos)”.
Dr. Pablo também destaca os grupos mais vulneráveis: “idosos (pelo enfraquecimento imunológico natural); crianças menores de 5 anos (especialmente menores de 2 anos, com vias aéreas menores e sistema imune em desenvolvimento); portadores de doenças crônicas (asma, DPOC, diabetes, cardiopatias, obesidade grave); imunossuprimidos (em quimioterapia, transplantados, HIV/AIDS não controlado); e gestantes (devido a alterações fisiológicas)”.
Entre as principais medidas preventivas recomendadas pelo infectologista estão manter a vacinação em dia, incluindo as vacinas contra gripe, COVID-19 e pneumococos para os grupos de risco; higienizar as mãos com frequência usando água e sabão ou álcool 70%; usar etiqueta respiratória, cobrindo boca e nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar, e utilizar máscara em ambientes fechados ou em caso de sintomas; manter os ambientes bem ventilados, abrindo janelas regularmente; hidratar-se adequadamente para preservar as mucosas das vias respiratórias; evitar aglomerações em espaços mal ventilados; e manter os filtros de ar-condicionado limpos, além de controlar a umidade do ar com umidificadores higienizados ou bacias de água.
Em Balneário Piçarras, a Secretaria de Saúde já aplicou 8.066 doses da vacina contra a gripe desde o início da campanha, no dia 7 de abril, o que representa uma cobertura vacinal de 47,58% entre os grupos prioritários.
“Hoje, o município conta com uma cobertura vacinal de quase 50% do público-alvo, ou seja, gestantes, idosos e crianças acima de 6 meses e até 6 anos de idade. Então, hoje esse público está quase 50% vacinado na nossa cidade. No entanto, o intuito da Secretaria de Saúde é aumentar ainda mais esse número e a imunização aqui na nossa cidade”, afirmou o secretário de Saúde, Rodrigo Medeiros.
Rodrigo também chama a atenção para o perfil dos testes positivos: “Dentre os testes realizados de Síndrome Gripal, quase 95% é para Influenza A e apenas 5% para Influenza B. Isso faz com que a gente realmente se preocupe e continue atendendo a nossa população e solicitando também para que tenhamos a etiqueta da gripe, lavando as mãos, utilizando máscara sempre que possível, não estar em ambiente de aglomeração”.
As vacinas estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município, sem necessidade de agendamento. O imunizante é contraindicado apenas para crianças menores de 6 meses e pessoas com histórico de reação anafilática grave a doses anteriores.
ALIMENTAÇÃO REFORÇADA
Além da vacinação e dos cuidados com higiene, uma boa alimentação também é aliada na prevenção. O nutricionista Bruno Cardoso explica que “é importante entender que não existe um alimento específico que ‘aumente a imunidade’ de forma isolada. O que realmente fortalece o sistema imunológico é a manutenção de uma alimentação equilibrada e variada, feita de forma contínua. Consumir alimentos ricos em vitaminas, minerais, antioxidantes e compostos bioativos ajudam o organismo a funcionar melhor e a reagir com mais eficiência frente às infecções”.
Entre os alimentos que contribuem para a saúde imunológica estão as frutas cítricas, como laranja, acerola, kiwi e limão, que são ricas em vitamina C; os vegetais verde-escuros, como couve, espinafre e brócolis, que oferecem vitaminas A, C e minerais como o ferro; as oleaginosas, como castanhas, nozes e amêndoas, fontes de vitamina E e selênio; os alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir e kombucha, que favorecem a saúde intestinal, diretamente ligada à imunidade; além do alho, cebola e gengibre, que possuem propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas; e ainda as leguminosas, carnes magras, ovos e grãos integrais, que fornecem proteínas, fundamentais para a construção e manutenção das células do sistema imunológico.
“Ultimamente na internet, há um grande destaque para algumas vitaminas e minerais quando se fala sobre imunidade como a C, D e o zinco, incentivando o uso de suplementos vitamínicos sem nenhuma indicação profissional. A automedicação ou o consumo exagerado de vitaminas sem orientação profissional pode ser desnecessário e até prejudicial. A suplementação só deve ser feita quando há uma deficiência comprovada por exames laboratoriais, e sua indicação precisa considerar as necessidades individuais de cada pessoa. Para um cuidado mais eficaz e personalizado, é sempre indicado consultar um nutricionista, sendo o profissional responsável por avaliar o estado nutricional, hábitos alimentares e necessidades específicas, orientando a melhor forma de manter a imunidade em dia por meio da alimentação, com equilíbrio, variedade e segurança”, finaliza Bruno.





