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Piçarras
domingo 14 de julho de 2024


A dúvida vem com o verão

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Com a chegada da temporada mais lucrativa para as cidades litorâneas, Balneário Piçarras vive um momento de preocupação. Diante do cenário de destruição em que se encontra a praia central – com a erosão da faixa de areia, destruição do calçadão e esgoto à mostra – entidades e empresários divergem sobre as expectativas de movimento turístico dos próximos meses.
“Eu nunca vi um balneário tão morto. Vejo que algumas pessoas não querem que essa cidade cresça. Turisticamente Penha está crescendo mais do que Piçarras”, define a empresária, Luciana Daniels, que já afixou uma placa ‘vende-se’ a fachada de seu estabelecimento, que fica de frente para o mar e a uma rede de esgoto aberta. Ela reclama, ainda, sobre as políticas de incentivo ao turismo e à situação alarmante do principal atrativo municipal. “Sei que não é culpa dele (prefeito), mas sim da natureza. Questiono é a falta de atitude e planejamento”, acrescenta.
Ao contrário de Luciana, que não vê com bons olhos a próxima temporada de verão, a presidente da Associação das Empresas de Turismo de Balneário Piçarras (Assetur) tem uma opinião diferente. Sempre otimista, Susan Corrêa acredita no bom fluxo de visitantes, mas frisa que são turistas que ainda não conhecem a realidade da praia e que, depois disso, dificilmente voltarão. “Não acho que será um verão fraco. Sei que quem viu a praia no estado do ano passado, não voltará. Mas acredito que outro público virá à Balneário Piçarras nesse verão e, infelizmente, irão se decepcionar”, acredita.
Segundo Susan, que também é gerente de um tradicional hotel da cidade, 50% dos hospedes da temporada passada estão retornando o contato para saber as condições da praia. Informados sobre a situação, não confirmam as reservas. “As pessoas estão preocupadas com a falta de informações sobre a recuperação da praia. Sem isso, elas não confirmam os pacotes (reservas) e optam por outras cidades”, confirma.
A secretária de Turismo, Cultura e Esporte, Flávia Coradini, tem a mesma opinião de Susan. Flávia, no entanto, crê na força do veranista para aquecer a cidade durante o verão. “Quem realmente gosta de Balneário Piçarras, vai passar o verão aqui. Temos um bom número de veranistas e, além disso, possuímos um bom trecho de areia na área Norte e na Barra”, afirma. Segundo o IBGE, das 10.603 residências de Balneário Piçarras, 4.173 são de veranistas. “Mas temos esperança que a recuperação da faixa de areia aconteça até o final do ano”, emenda.
Com a praia destruída, o setor imobiliário começa a trabalhar como maior vigor. Diversas casas estão à venda, contudo, a reportagem conversou com alguns corretores, que afirmaram que a decisão de venda não tem ligação com a situação da praia. “Vejo mais como uma crise financeira no Brasil”, observa o corretor, Márcio Merfort. Ele, no entanto, cita que há casos de proprietários puseram os imóveis à venda para veranear em cidades de maior infraestrutura e fluxo turístico.
O Governo Municipal informou que ainda não dispõe de recursos financeiros para por em prática o projeto de recuperação que já foi enquadrado no Ministério da Integração Nacional, dia 27 de julho. Orçado em R$ 7,7 milhões, o projeto prevê a recuperação de dois quilômetros de orla e implantação de duas estruturas para retenção da areia levada pela correnteza. O plano baseado na obra de 1998 foi complementado por estudos técnicos mais recentes sobre a questão, segundo a Prefeitura.
 

Foto por: Felipe Bieging | JC

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