21.1 C
Piçarras
quinta-feira 23 de maio de 2024


Parou por quê?

Ouça a Matéria

Neudson Fernandes de Araújo foi contratado para pintar as 35 casas doadas pelo Instituto Ressoar às famílias afetadas com as enchentes do ano de 2008, em Balneário Piçarras. No entanto, há quatro meses ele largou o pincel e as tintas para desempenhar outra função: evitar que o local seja depredado, invadido e tomado por usuários de drogas. A construção das casas está parada e elas começam a apresentar sinais de deterioração.
Natural da Paraíba, Araújo recepciona a reportagem e responde a questionamentos que ainda não haviam lhe sido feitos. “Tá tudo parado. Há quatro meses parei de pintar para ficar vigiando as casas. Se eu não tivesse aqui já estaria tudo invadido ou destruído”, alerta para o problema com a obra que deveria trazer a solução para famílias que aguardam o término há mais de um ano.
Segundo o pintor-vigia, nenhuma das casas está concluída e não há sinais positivos de que as obras irão recomeçar rapidamente. Em contato com a empresa contratada para construir as casas (Casas Ecológicas, com sede em Brusque), foi informado que apenas o Instituto Ressoar poderia passar os dados sobre a paralisação. O Ressoar pediu para que a reportagem retornasse a ligação na quarta-feira, dia 26.
As casas de 36 metros quadrados (divididas em dois quartos, sala, cozinha e banheiro) estão sendo custeadas pelo Instituto Ressoar, através de um convênio com a Companhia de Habitação do Estado (Cohab) em 25 de outubro de 2009. A Prefeitura também rubricou o convênio e se comprometeu a doar o terreno, prepará-lo, fornecer saneamento e ligações elétricas.
“Fizemos tudo o que foi pedido: doamos o terreno e já aterramos. As fossas e a elétrica só iremos fazer assim que as obras recomeçarem”, disse o secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Luiz Antônio Silvestre. Ele também revelou que já notificou a Cohab para que tome alguma providência para o retorno das construções. “Nesta segunda-feira (17) enviei um ofício à Cohab pedindo explicações. Espero uma resposta dentro dos próximos dias”, revelou.
A diretora de operações da Cohab, Leocádia Bonanomi, disse por meio de sua assessoria de imprensa, que é o Instituto Ressoar responsável pela contratação e pagamento das casas, já que é o doador oficial de cada unidade habitacional. “A agenda da obra, contratação e fiscalização são de responsabilidade da Ressoar”, informou. “Nós apenas selecionamos as famílias que seriam contempladas com as casas”, acrescentou. O Instituto ainda não se manifestou.
Enquanto o impasse se mantiver, as casas seguem sob os olhares de Araújo, que desde a paralisação, afirma não ter mais recebido seu pagamento. “Estou devendo no mercadinho do final da rua e naquele outro”, afirma o senhor, apontando com o indicador para os dois estabelecimentos da humilde região. “Eu ligo e eles falam que vão me pagar no outro dia, mas isso não acontece. Quero receber, pagar e ir embora”, finaliza. As famílias que aguardam o fim das obras, muitas delas, continuam morando em áreas de risco.
 

Foto por: Felipe Bieging

Confira também
as seguintes matérias recomendads para você