A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) oficializou a data de abertura de seu Museu Oceanográfico, em Balneário Piçarras. Diante de uma coleção que vai enquadrar o Museu como o maior da América Latina e o segundo maior do mundo, as portas do fundo do mar serão abertas às 19h30 do dia 14 de dezembro, data em o município comemora 52 anos.
“A data foi definida: 14 de dezembro. Já mandamos, inclusive, produzir os convites. Agora é trabalhar para que todos os detalhes estejam prontos”, confirmou o professor e curador do Museu, Jules Soto. A cerimônia, entretanto, não será aberta a comunidade, que poderá visitar a estrutura nos dias seguintes.
Na reta final, a equipe da universidade canaliza suas atenções para os aquários – que estão sendo produzidos e montados. “Inclusive cuidando da importação de algumas espécies que estão vindo da Indonésia”, acrescenta Jules, complementando com o trajeto internacional que os peixes percorrer até ficarem a mira dos olhos em Balneário Piçarras.
Segundo Jules, a inauguração do Museu será com todos os itens que a universidade possui e que, gradativamente, o local ganhará elementos tecnológicos de interação. “Vamos inaugurar com todos os itens e algo já no setor de tecnologia. Mas quando se lança uma estrutura turística como essa é preciso ir acrescentando e melhorando a cada dia”, detalha.
A intenção da universidade é de, em um segundo momento, ampliar a estrutura e transformar o Museu em um Complexo Marinho. Na área externa, um gigantesco tubarão-baleia será exposto e um aquário deverá ladear o acesso ao museu. “Nesse aquário queremos reproduzir o fundo da nossa costa, com as espécies que vivem aqui”, vislumbra Jules.
Para iniciar o projeto externo, a Universidade espera contar com o aporte financeiro de R$ 200 mil. A Prefeitura antecipou que não poderá arcar com tais despesas, mas vem auxiliando na busca do recurso junto ao Governo do Estado. Na terça-feira, 27, Jules e o prefeito Leonel José Martins (PSDB) iniciaram um diálogo com o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Carlos Chiodini.
250 mil peças vão colocar Museu entre os maiores
A temática do local do Museu abrangerá a formação dos oceanos, a evolução dos seres vivos, a história da oceanografia, os recursos vivos e minerais dos oceanos, a preservação do meio-ambiente marinho e uma ampla exposição sobre os seres vivos marinhos. Jules afirma que a estrutura vai abrigar aproximadamente 250 mil peças, colocando o Museu em destaque no cenário mundial. Haverá cobrança de ingresso para visitar o local, com valores ainda indefinidos.
O professor categoriza que em termos oceanográficos, o Museu da Univali ficará atrás somente do Aquário Museu Oceanográfico de Mônaco, que hoje é considerado o maior do mundo. “Na América Latina seremos o maior”, ressalta. Na categoria de história natural, o Museu será o quarto maior do Brasil, atrás do Museu Nacional do Rio de Janeiro, do Museu de Ciências da PUC-Rio Grande do Sul e do Museu de Zoologia da USP.
“O acervo do Museu Oceanográfico possui itens da história do mergulho, datadas da década de 40 e utilizados pelos primeiros mergulhadores autônomos da história”, frisou o curador. Ainda estarão expostas espécies raríssimas que incluem tubarões e raias de profundidade, peixes exóticos abissais, lulas gigantes, espécies de tartarugas marinhas, grandes animais conservados inteiros em tanques de vidro como golfinhos, peixe-lua, raias manta, entre muitos outros. São milhares de itens.
A coleção ainda reúne diversos grupos de grande importância científica, destacando a maior coleção de conchas da América Latina, com 88.813 amostras que incluem as duas conchas mais procuradas por colecionadores no mundo.
Entre outros destaques também estão a maior coleção de mamíferos marinhos do Brasil, com 708 lotes que incluem baleias, golfinhos, focas, lobos e leões marinhos de diversas espécies; a maior coleção da América Latina de tartarugas marinhas, com 644 lotes; a agora segunda maior coleção de elasmobrânquios (tubarões e raias) do mundo, com mais de 12 mil espécimes que incluem exemplares raríssimos e únicos no continente.
Foto por: Felipe Bieging





